Petros vende posição em sete fundos de participação por R$ 180 milhões

Valor corresponde a um desconto de cerca de 30% em relação ao preço das cotas

A fundação Petros vendeu suas cotas em sete fundos de investimento em participações (FIPs) para a gestora Spectra. É a maior transação do mercado secundário de private equity e envolvendo fundos de pensão. As cotas dos fundos Óleo e Gás, Brasil Petróleo 1, InfraBrasil, Angra Infra, Investidores Institucionais II, Investidores Institucionais III e Caixa Ambiental foram vendidas por R$ 180 milhões. O valor corresponde a um desconto de cerca de 30% em relação ao preço das cotas.

“Primeiro fizemos um projeto piloto, com a venda de uma posição menor, de R$ 1 milhão, para testar o processo, entender o modelo, a documentação”, conta Alexandre Mathias, diretor de investimentos da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. No início do ano passado, a fundação chamou 12 investidores para avaliar os ativos e três deles chegaram a assinar um acordo de confidencialidade. A fundação e a compradora também consultaram a reguladora Previc, ao longo do processo de negociação, inclusive sobre a precificação. “É um desconto compatível com negociação de ativos ilíquidos e de análise mais complexa. Foi um bom negócio para a fundação”, diz Mathias.

Alexandre Mathias, diretor de investimento da Petros: processo começou com a reconstrução de governança da fundação — Foto: Valor

Alexandre Mathias, diretor de investimento da Petros: processo começou com a reconstrução de governança da fundação — Foto: Valor

Em um mercado com poucas transações secundárias, a Spectra tem sido uma dos principais compradoras — essa é a 52 aquisição de cotas nesse modelo feito pela gestora. A Spectra já era investidora em parte desses fundos alvo da negociação. Segundo Renato Abissamra, sócio da Spectra, a compra foi feita com coinvestidores e com recursos dos fundos 3 e 4, este recém-levantado no valor de R$ 800 milhões.

“O mercado secundário de private equity é bastante ativo no mundo todo e um maior volume no país desse tipo de transação indica maturidade do mercado local”, diz Abissamra.

A carteira não trouxe retorno consolidado para a fundação. Mathias não revela qual foi o montante investido originalmente pela Petros nesses fundos. “Um fundo teve bom desempenho e os outros são mais desafiadores”, diz. Ele explica que a transação faz parte do plano da Petros de revisão de suas carteiras e políticas de investimento, o que vem sendo implementado ao longo dos últimos anos.

“Esse processo começou com a reconstrução de governança da Petros, de revisão de processos, troca de equipe e decisões colegiadas”, destaca. Na diretoria de investimentos, por exemplo, 75% da equipe tem menos de três anos de casa. Fez parte desse processo uma reavaliação de preço justo dos ativos, conforme o executivo, para que o balanço da fundação não refletisse expectativas distantes da realidade.

“Adotamos uma postura crítica em relação a laudos de avaliação, com a criação de uma comissão de precificação para ativos ilíquidos, de forma a refletir um preço mais justo, em linha com nossas premissas, para colocar no balanço”, diz Mathias. “Isso fez com que a Petros fizesse uma revisão para baixo do valor de seus investimentos ilíquidos nos últimos três anos, com mais transparência.” Além disso, a fundação passou a considerar o mercado secundário como forma de liquidez pela necessidade, nos anos anteriores, de equacionamento de planos de pensão.

A fundação tem ainda posição em outros 19 FIPs, que somam cerca de R$ 1 bilhão e representam pouco mais que 1% do total dos investimentos. Esse fundos também podem ter suas cotas vendidas. A Petros não descarta novos investimentos nesse tipo de fundo, como diversificação de portfólio. “O que temos é uma redefinição de como fazer isso, de aprovação em um comitê, e de seleção de fundos que não sejam concentrados em uma mesma safra e mesmo setor”, diz.

Petros vende posição em sete fundos de participação por R$ 180 milhões | Finanças | Valor Econômico

https://valor.globo.com/financas/noticia/2019/09/24/petros-vende-posicao-em-sete-fundos-de-participacao-por-r-180-milhoes.ghtml

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