CARTA MENSAL DE INVESTIMENTOS PETROS – AGO/2019

Esta carta mensal traz os resultados acumulados pela Petros até o fechamento de agosto. Os planos PPSP-R e PPSP-NR registram
alta de 16,5% e 16,2%, respectivamente, enquanto o Plano PP-2, cuja carteira de renda fixa está marcada na curva, acumula alta
de 9,3% ao final de agosto.

Agosto foi marcado pelo aumento da incerteza no mundo todo, com o risco de recessão global crescendo em função da escalada das
tensões entre Estados Unidos e China e, no caso do Brasil, pela contaminação regional devido à moratória argentina. O aumento da
aversão ao risco fez o dólar subir 8,5% no mês, maior alta mensal em quatro anos, gerando perdas na bolsa e na renda fixa. Todavia,
a carteira de renda variável registrou rentabilidade positiva de 2,0%, mesmo no mês em que o Ibovespa caiu 0,7%. Assim, mesmo
com a deterioração global, a carteira consolidada da Petros resistiu bem e segue com desempenho positivo: alta de 13,7% no ano.
A perda de impulso da atividade global reforça o quadro de juros baixos por um período mais longo também aqui no Brasil e isto
obrigará os fundos de pensão a buscarem novas formas de organizarem seus investimentos. A meta de ganho real acima de 5%
ao ano, quando os títulos indexados à inflação não pagam taxas reais acima de 4%, requer que cerca de um terço da carteira seja
composta por ativos com retornos esperados de, pelo menos, dois dígitos.

Em outras palavras, será preciso correr mais risco na gestão dos investimentos para atingir a meta atuarial. O Grupo de Trabalho1
Benchmarking Global de Melhores Práticas pesquisou como grandes investidores institucionais (Fundos de Pensão, Endowments
de Universidades e Fundos Soberanos) organizam a governança, as áreas de gestão de investimentos e de controle de riscos, tendo
identificado dois modelos como as principais tendências globais.

O modelo da Universidade de Yale (também conhecido como modelo de Swensen3,3) é reconhecido como uma das melhores estratégias para investidores institucionais (Harvard adotou este modelo em 2017). Swensen assumiu a gestão em 1985, com o fundo de
US$ 1 bilhão em crise. Hoje, contabiliza ativos totais acima de US$ 20 bilhões e registra um ganho anual médio de 13,8%, baseado
numa estratégia de diversificação com forte ênfase em ativos ilíquidos – algo inviável para um fundo brasileiro.

Outro modelo de gestão com cada vez mais adeptos (Noruega, Nova Zelândia e Cingapura) é o modelo do Canadá. Em 1997, a
previsão de déficits crescentes levou a uma reforma do sistema previdenciário canadense que, entre outras medidas, criou o CPPIB
(Canada Pension Plan Investment Board) como uma gestora independente operando sob um modelo que concilia governança, diversificação ampla e uma gestão interna profissional para gerir os recursos da aposentadoria complementar.

A conclusão do nosso Grupo de Trabalho é que o modelo de gestão e governança do CPPIB4 é a melhor referência em termos de
sistemática de investimentos para a Petros, pois concilia governança sólida com um modelo de diversificação de ativos que proporciona critérios claros e transparentes de avaliação e supervisão, com foco no controle de risco sobre a carteira total.

Neste modelo, o Conselho Deliberativo (CD) aprova o mandato de risco ao sancionar um “Portfólio de Referência” — uma carteira
simples, constituída por estratégias passivas de renda fixa e renda variável, cuja projeção de retornos seja capaz de atingir a meta
atuarial ao longo do tempo. A área de gestão busca agregar valor a este portfólio, diversificando os investimentos em mais classes
de ativos e, também, buscando gerar um excesso de retorno sobre o benchmark de cada classe (alfa), sempre com o risco total
controlado segundo os parâmetros definidos pelo CD.

A Diretoria de Investimentos começou a elaborar, junto com a Gerência de Gestão de Riscos e Conformidade, as propostas de
Políticas de Investimentos 2020 compatíveis com esta nova abordagem de gestão de investimentos. Nossa intenção é submeter à
Diretoria Executiva e ao Conselho Deliberativo da Petros, em novembro, o novo modelo que buscará atender ao desejo manifestado
pelo CD de aumentar o foco estratégico sobre o acompanhamento dos ativos e passivos dos planos administrados pela Petros,
simplificando a estrutura de alçadas e normativos para conciliar segurança nos processos com a agilidade que o mercado exige.

Alexandre Mathias
Diretor de Investimentos

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