Previ e Petros, têm planos bem distintos para as suas carteiras de ações

Previ e Petros, as duas maiores entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) do país, se encontram em campos opostos de um mercado acionário que vive momentos de euforia e de grande expectativa com o recorde de R$ 29,3 bilhões em emissões registrado no primeiro semestre do ano. Detentora de uma carteira de investimentos de R$ 200,49 bilhões, a primeira traça como prioridade absoluta, a médio e longo prazos, uma sensível redução da fatia detida pela renda variável em seu total de investimentos, hoje da ordem de 48,30%. Já a Petros, na contramão, planeja ajustes em sua política de investimentos para 2020 com o intuito de ultrapassar o limite de 20% hoje imposto às ações na composição de seu portfólio global.

Almeida: desconcentração da carteira de ações em curso na Previ

“Nossa intenção é reduzir de cerca de 50% para algo ao redor de 30% o peso das ações no Plano 1, o maior produto previdenciário da casa, com patrimônio líquido na casa de R$ 184 bilhões, promovendo uma migração paulatina para aplicações de renda fixa”, comenta Marcus Moreira de Almeida, diretor de investimentos da Previ. “O que está em discussão é a velocidade desse processo de transição, já que os prêmios oferecidos pelos títulos públicos e privados disponíveis na praça se mostram insuficientes para garantir o cumprimento da meta atuarial do Plano 1.”
Na primeira metade do ano, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil teve atuação destacada na ponta vendedora do segmento acionário com a abertura de capital da Neoenergia. A forte demanda pela operação, que movimentou cerca de R$ 3,5 bilhões, permitiu à Previ alienar 64,9 milhões de títulos da empresa energética, que atua em 18 estados e tem como maior acionista a espanhola Iberdrola. “A venda da posição na Neoenergia figurava em nossos planos havia dois anos, mas só agora o mercado mostrou apetite pelo negócio”, observa Almeida.
Em outras duas grandes transações do período, as ofertas públicas de papéis da BR Distribuidora e do IRB Brasil RE, a fundação dos funcionários do Banco do Brasil atuou como compradora, tendo injetado cerca de R$ 1 bilhão em ambas. De quebra, também adquiriu, em volumes menores, papéis emitidos pelo setor de serviços e consumo, caso de Localiza, que captou aproximadamente R$ 1,8 bilhão. “Estamos aproveitando o cenário favorável ao mercado acionário para montar novas posições relevantes, caso de BR Distribuidora, reduzindo assim a concentração de quase 90% da carteira em 12 papéis, grupo que inclui Vale, Petrobras, Itaú e Ambev, entre outros títulos de alta liquidez”, diz Almeida. “Perseguiremos firmemente essa meta, mas sem realizar movimentos bruscos.”

Perfis mais agressivos – Se a tendência de participação da renda variável no Plano 1, de benefício definido (BD), é de baixa, o inverso ocorre em relação ao Previ Futuro, de contribuição variável (CV). Lançado em 1998, o produto vem apresentando uma expansão contínua de sua carteira de ações, que já responde por 27,15% do bolo total de investimentos, de quase R$ 27 bilhões, com viés de alta. A evolução é ditada pelo grupo crescente de participantes que optam por perfis de investimentos mais agressivos, ou seja, com maior presença de ações em seus portfólios. “A renda variável, com certeza, vai continuar a ganhar espaço no Previ Futuro. A sua fatia na carteira, inclusive, poderá ultrapassar o maior nível já registrado, atingindo 30%”, diz o diretor de investimentos da Previ.
Otimista, o executivo acredita que a onda de emissões de papéis no cenário doméstico seja retomada a partir de setembro, logo após o término do período de férias escolares no hemisfério norte. Em sua avaliação, a expectativa de reformas estruturais na economia brasileira reaqueceu definitivamente o mercado acionário, despertando o interesse de aplicadores e de empresas dispostas a captar recursos. “A expectativa, inclusive, é de um forte crescimento das ofertas públicas iniciais, os chamados IPOs, que responderam por apenas 15% das emissões no primeiro semestre do ano”, diz Almeida. “Entre as possíveis candidatas a IPOs, as controladas da Caixa, caso da Caixa Seguridade, figuram entre os nomes mais cobiçados pelos investidores.”

Mathias: Petros planeja forte escalada de seu portfólio de ações


Visão otimista
– Leitura idêntica é feita por Alexandre Mathias, diretor de investimentos da Petros. Em sua visão, os avanços na área fiscal, com o trâmite da reforma da previdência no Congresso Nacional, e o ambicioso programa de privatizações e concessões do novo Executivo federal tendem a servir de estímulo para novas operações no mercado acionário local. “O ambiente é de relativo otimismo, com boas perspectivas para a economia doméstica já a partir do próximo ano”, observa. “É fato que o acirramento dos conflitos comerciais entre Estados Unidos e China poderá causar uma recessão global, mas até o momento não há sinais de que isso vá ocorrer.”
Cada vez mais afinada com as gestoras independentes no que diz respeito à estrutura e ao modus operandi, a diretoria de investimentos da Petros faz planos para retomar a sua posição de player de destaque no mercado de renda variável. O projeto será analisado na definição do chamado Asset Liability Management (ALM), que servirá de referência para a implantação da política de investimentos em 2020. “Vamos propor um limite bem maior do que o que temos hoje, passando de 20% para para 50% em ações. Mas não vamos usar isso tudo, de acordo com nossas projeções vamos subir no médio prazo para algo em torno de 30%, com margens para crescimento e recuos em razão de mudanças de cenários e preços”, diz Mathias. Proveniente da Bradesco Asset Management, a Bram, de onde saiu há três meses, rapidamente ele se familiarizou com a nova cultura das EFPC e diz que está em total sintonia com sua nova casa.
Com investimentos totais ao redor de R$ 76,5 bilhões, e dois dos maiores planos BDs do país – o PPSP e o Petros, com recursos totais de cerca de R$ 49 bilhões –, a entidade, a exemplo de todo o sistema, terá de ampliar as suas alocações em ativos de risco para garantir o cumprimento de metas atuariais. A tarefa, na opinião do executivo, demandará também análises de outras opções que não apenas a renda variável, casos de fundos multimercados, de investimentos no exterior, em imóveis e de participações, os FIPs, segmento no qual a Petros se desfez, há pouco, de um terço de suas posições por meio da venda de oito produto.
“A bolsa de valores será, tudo indica, o principal vetor de contribuição para uma maior rentabilidade dos planos e benefícios das fundações de previdência, mas os FIPs terão de retomar seu espaço nas políticas de investimento das EFPCs”, diz Mathias. “O sistema tem de assimilar as lições dos insucessos recentes nessa área, mas não pode amaldiçoar o produto.”

Estratégias opostas na renda variável | Os dois maiores fundos de pensão do país, Previ e Petros, têm planos bem distintos para as suas carteiras de ações

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