Lava-Jato: PF mira banqueiro André Esteves e ex-presidente da Petrobras Graça Foster

Agentes da Polícia Federal (PF) cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banqueiro André Esteves, no Rio e em São Paulo, na 64ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada na manhã desta sexta-feira. A casa da ex-presidente da Petrobras Graça Foster também é alvo da nova etapa, no Rio.

Segundo a PF, a operação tem o objetivo de investigar os crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais ligados a recursos registrados em uma planilha chamada "Programa Especial Italiano" — contabilidade gerida pela empreiteira Odebrecht. A investigação decorre do acordo de delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci, identificado nos sistemas de propina da companhia com o codinome "Italiano".

Autorizados pela 13ª Vara Federal de Curitiba, 80 policiais federais cumprem 12 mandados de busca em São Paulo e no Rio.

Além de identificar beneficiários da planilha e esclarecer o modo de operação da entrega de valores ilícitos a autoridades, a PF mira na nova fase da Lava-Jato um contrato do BTG Pactual com a Petrobras na exploração do pré-sal e em um projeto de desinvestimento de ativos no continente africano.

De acordo com a PF, os cofres públicos podem ter sido lesados em pelo menos US$ 1,5 bilhão, o equivalente, na cotação atual, a R$ 6 bilhões. Procurado, o BTG Pactual ainda não se manifestou.

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Em trechos da delação, homologada pela Justiça e obtida pelo GLOBO, Palocci contou que alguns dos principais bancos do país fizeram doações eleitorais que somam R$ 50 milhões a campanhas do PT em troca de favorecimentos nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele citou casos envolvendo o BTG Pactual, além de Bradesco, Safra, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. Os acusados negaram irregularidades e classificaram a delação de Palocci de “mentirosa” e “inverossímil”.

Segundo o delator, o BTG Pactual tinha interesse em informações privilegiadas sobre juros e, em 2014, teria repassado R$ 9,5 milhões à campanha à reeleição de Dilma pelo recebimento dessas informações. O ex-ministro afirmou ainda que o banco pagou R$ 2 milhões à campanha presidencial da petista em 2010 em troca da atuação da base governista no Congresso na defesa de seus interesses. As duas doações constam das declarações oficiais do partido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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A operação desta sexta-feira foi batizada de "Pentiti", que significa "arrependidos". Trata-se de uma referência a termo empregado na Itália para caracterizar pessoas que integraram organizações criminosas e, após serem presas, decidiram colaborar com investigações de autoridades.

Na 63ª fase da Lava-Jato, deflagrada nesta quarta-feira e denominada "Carbonara Chimica", a PF investigou a suspeita de pagamentos da Odebrecht a dois ex-ministros. Na ocasião, foram presos o ex-executivo da empreiteira Maurício Ferro — genro de Emilio Odebrecht e desafeto do cunhado Marcelo Odebrecht — e o advogado Nilton Serson.

Mantega deverá colocar tornozeleira eletrônica, decidiu o juiz Luiz Antonio Bonat, substituto do atual ministro da Justiça, Sergio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba. De acordo com a investigação, Mantega solicitou a Marcelo Odebrecht propina de R$ 50 milhões como contrapartida para as edições de duas Medidas Provisórias. O pedido, segundo a PF, foi aceito por Marcelo e pago pela Brasken.

Lava-Jato: PF mira banqueiro André Esteves e ex-presidente da Petrobras Graça Foster – Brasil – Extra Online

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