PF prende delegado que investigava caso Postalis por suspeita de extorsão

Escrivão também foi detido. Polícia cumpre mais quatro mandados de prisão e 25 de apreensão nesta terça

Chico Otávio

11/06/2019 – 11:42 / Atualizado em 11/06/2019 – 13:44

Polícia Federal cumpre seis mandados de prisão em operação que investiga fraude no Postalis, fundo de pensão dos Correios Foto: Agência O GloboPolícia Federal cumpre seis mandados de prisão em operação que investiga fraude no Postalis, fundo de pensão dos Correios Foto: Agência O Globo

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RIO – O delegado federal Lorenzo Pompilio da Hora e o escrivão Éverton da Costa Ribeiro foram presos nesta terça-feira por suspeita de fraude em inquérito que investigava oPostalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios. Ambos são acusados de tentativa de extorsão. A acusação teria sido feita por um advogado e, a partir da denúncia, a Polícia Federal começou a investigar o caso.

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A PF cumpre mais quatro mandados de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela juíza Carolina Vieira Figueiredo, substituta na 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Na época em que teria ocorrido a extorsão, Lorenzo e Éverton eram lotados na unidade da Polícia Federal na sede dos Correios, no Rio. O delegado investigava o desvio de cerca de R$ 100 milhões do Postalis e da Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras). A investigação era baseada na delação de um funcionário do Grupo Galileo Educacional.

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O grupo tinha interesse em assumir a administração da universidade Gama Filho e da UniverCidade, que passavam por dificuldades financeiras. Para levantar recursos, o Galileo lançou no mercado debêntures (títulos da dívida), que foram adquiridas pelo Postalis e pela Petros.

Mas o montante levantado, em vez de ser aplicado em melhorias nas universidades, teria sido desviado e irrigado contas de políticos.

As apurações apontaram que Lorenzo e Éverton receberam grandes quantias e vantagens indevidas para evitar a exposição na mídia de investigados e potenciais investigados e favorecê-los nas apurações conduzidas por eles quanto às irregularidades no Postalis e no Plano de Saúde dos Correios.

De acordo com o que foi apurado até agora, os pagamentos variavam de R$ 400 mil a R$ 1,5 milhão, eram feitos na maioria das vezes em dinheiro, mas em alguns casos foram repassados por meio de transferências .

Lorenzo também foi um dos três delegados federais que apresentaram à Polícia Civil do Rio de Janeiro o policial militar Rodrigo Ferreira, apontado como testemunha do Caso Marielle.

PF prende delegado que investigava caso Postalis por suspeita de extorsão – Jornal O Globo

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