Operação desarticula organização criminosa na PF-RJ por propina em caso do Postalis

Operação desarticula organização criminosa que atuava dentro da Superintendência da PF do Rio | Rio de Janeiro | G1

Servidores da Polícia Federal são suspeitos de cobrar propina de investigados em ações que combatiam fraudes no fundo de pensão Postalis, um dos maiores do país.

A Polícia Federal no Rio de Janeiro prendeu, na manhã desta terça-feira (11), um delegado da ativa, um escrivão e um advogado suspeitos de integrar uma organização criminosa que atua na Superintendência da Polícia Federal do estado. De acordo com as investigações, os servidores beneficiavam investigados em fraudes no fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis, um dos maiores do país.

Segundo o Ministério Público Federal, além de investigados na operação Postalis, o delegado de Polícia Federal Lorenzo Pompílio da Hora, e o escrivão Éverton da Costa Ribeiro também cobravam propina dos investigados nos inquéritos policiais relacionados às Operações Titanium, que investigou fraudes envolvendo o Plano de Saúde dos Correios.

O inquérito apontou que Lorenzo e Éverton solicitaram e receberam vultuosos valores de vantagens indevidas para evitar a exposição na mídia de investigados e potenciais investigados e favorecê-los nas apurações conduzidas por eles quanto às irregularidades no Postalis e no Plano de Saúde dos Correios.

Os agentes públicos contavam com a atuação de operadores, principais intermediários da organização criminosa, que usavam seus contatos para se aproximar de potenciais investigados e solicitar os pagamentos de vantagens indevidas, além de viabilizar o recebimento de valores de propina e as operações de lavagem de dinheiro.

Os pagamentos, que variaram, segundo o apurado até o momento, de R$ 400 mil a R$ 1,5 milhão, eram feitos na maior parte das vezes em dinheiro, mas em alguns casos foram repassados por meio de transferências a empresas ligadas aos operadores.

Durante as investigações, a policia determinou as quebras de sigilo bancário, fiscal, telemático e telefônico dos investigados, que, somados aos elementos apresentados em razão de acordo de colaboração premiada celebrado com alguns dos empresários abordados pelo grupo criminoso, comprovaram a efetiva prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Ainda segundo a PF, há indícios de que o esquema criminoso envolveu outros agentes públicos e que não se limitou às investigações apontadas.

Os agentes também cumpriram 24 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos foi a residência de um delegado da Polícia Federal aposentado.

Fraudes em fundos de pensão

Em fevereiro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou uma operação para esclarecer a suposta atuação de uma organização criminosa especializada no desvio de recursos previdenciários do Postalis.

Em dezembro de 2015, a PF deflagrou a Operação Positus. A operação apurou desvios de até R$ 180 milhões.

A fraude consistia, segundo as investigações, na compra de títulos do mercado de capitais, por uma corretora americana, que os revendia por um valor maior para empresas com sede em paraísos fiscais. Em seguida, os títulos eram adquiridos pelos fundos do Postalis com um aumento ainda maior no valor do título.

Em setembro de 2016, a PF deflagrou a Operação Greenfield para investigar irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do país, entre os quais, o Postalis. Os desvios totais eram estimados em pelo menos R$ 8 bilhões.

Em outubro de 2017, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) decretou intervenção no Postalis pelo prazo de 180 dias. A medida foi feita para preservar os direitos dos participantes dos fundos de pensão, segundo a lei dos regimes de previdência complementar.

Em fevereiro de 2018, foi deflagrada outra operação, chamada de Pausare, que identificou má gestão e desvios que geraramrombo de R$ 6 bilhões. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público, ex-dirigentes do Postalis autorizavam investimentos fracassados com base em relatórios técnicos falhos, com avaliações irreais para viabilizar as operações.

A força-tarefa da Lava Jato no Rio prendeu, em abril do ano passado, suspeitos de fraudar o Postalis e Sepros. Esses fundos investiram quase R$ 500 milhões em empresas ligadas a empresário preso, que é suspeito de transferir valores para paraíso fiscal.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/06/11/pf-cumpre-mandados-em-operacao-contra-fraudes-em-fundos-de-pensao-no-rj.ghtml

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