Petrobras reavalia parceria com chineses na refinaria do Comperj

A parceria entre a Petrobras e a chinesa CNPC para construção da refinaria do Comperj, em Itaboraí (RJ), está sendo reavaliada pela estatal brasileira, em meio às discussões internas sobre o novo modelo de desinvestimentos no refino. Segundo uma fonte da administração da empresa, o pré-acordo com os chineses, costurado nas gestões de Pedro Parente e Ivan Monteiro, está desalinhado com o que pensa o presidente Roberto Castello Branco, que prega um movimento mais agressivo de redução da participação da petroleira no refino.

Em outubro, a Petrobras e a CNPC assinaram o acordo integrado definindo o modelo da parceria. Pelo acerto, a empresa asiática assumiria fatia de 20% da joint venture a ser formada para conclusão e operação do primeiro trem (módulo) da refinaria do Comperj, que terá capacidade para processar 165 mil barris/dia de petróleo. As duas partes se comprometeram, então, a avançar com os estudos de viabilidade e de planejamento dos investimentos para conclusão das obras. Desde então, ainda não houve um acordo definitivo para a sociedade, discutida desde julho de 2017.

O modelo proposto para a parceria no Comperj está desalinhado com a estratégia de Castello Branco para o refino. Segundo declarações recentes do executivo, a Petrobras não tem a intenção de vender pequenas fatias nos ativos. "Se vendermos [uma refinaria], vamos vender 100% do ativo especifico", disse Castello Branco, em teleconferência com investidores, há três semanas.

O governador do Rio, Wilson Witzel, disse que dará todo o apoio necessário para a retomada das obras

A Petrobras está revendo todo o modelo de parcerias e desinvestimentos no refino. O plano original, lançado por Pedro Parente e que previa a venda de 60% de participação em dois polos regionais (um no Sul e outro no Nordeste), também não agrada o comando atual da petroleira. A estatal pretende definir ainda no primeiro semestre o novo modelo dos desinvestimentos no refino.

Castello Branco já disse que pretende mudar o modelo original para aumentar o número de potenciais compradores. O projeto original de desinvestimento veta a participação de empresas que tenham como principal atividade a comercialização global de petróleo e derivados de terceiros, conhecidas como tradings.

"Não concordamos [com o modelo atual], porque ele exclui compradores. Não queremos excluir ninguém", afirmou o executivo, durante coletiva de imprensa, há três semanas.

Na segunda-feira, o executivo esteve reunido com o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, para conversar sobre, entre outros assuntos, a retomada das obras do Comperj. No encontro, Witzel disse que o governo fluminense se coloca à disposição da Petrobras para "todo apoio necessário para a retomada" das obras da refinaria.

A Petrobras acredita ser possível concluir em dois anos as obras do Comperj, a partir do momento em que fechar o acordo para retomada do projeto. As obras da refinaria foram interrompidas em 2015 com mais de 80% de avanço. A Petrobras já investiu cerca de US$ 13 bilhões e condicionou a conclusão das obras à busca de um sócio.

O setor de refino é o grande pilar do programa de desinvestimentos da petroleira brasileira

As estimativas atuais para colocar a refinaria de pé superam US$ 3 bilhões, de acordo com um analista de um importante banco de investimentos. Enquanto as obras da refinaria aguardam uma solução de financiamento, a Petrobras investe, sozinha, cerca de R$ 1,95 bilhão na conclusão das obras da unidade de processamento de gás natural do Comperj.

O setor de refino é o grande pilar do programa de desinvestimentos da estatal, que espera anunciar em 12 meses até US$ 40 bilhões em venda de ativos. A Petrobras possui 13 unidades, que respondem por 98% da capacidade de refino do país. Castello Branco, porém, vê espaço para que a empresa reduza sua fatia no mercado para cerca de 50%.

No curto prazo, a grande expectativa gira em torno da venda da participação de 90% na Transportadora Associada de Gás (TAG). A Petrobras marcou para 2 de abril a segunda rodada de ofertas pelo ativo, que reúne uma rede de gasodutos de 4,5 mil quilômetros de extensão nas regiões Norte e Nordeste do país. O negócio é avaliado em cerca de US$ 8 bilhões.

Na primeira rodada, o grupo francês Engie – em sociedade com o fundo de pensão canadense CDPQ – apresentou a melhor oferta pelo negócio, no valor de US$ 8 bilhões, segundo uma fonte. Por uma exigência prevista na sistemática de desinvestimentos da Petrobras, firmada com o Tribunal de Contas da União (TCU), quando a diferença de valores entre as ofertas é relativamente pequena, a companhia deve realizar uma segunda rodada de ofertas.

Como a Engie apresentou a melhor oferta na primeira fase, a empresa pode negociar aspectos contratuais do negócio, como o valor e o contrato de operação dos gasodutos. É com base nesses pontos que os concorrentes farão a segunda rodada. Além do grupo francês, o ativo também interessa ao consórcio formado pelo Mubadala e pela EIG.

Este ano, a companhia já anunciou a venda da refinaria texana de Pasadena, para a Chevron (US$ 562 milhões), e do campo de Maromba, na Bacia de Campos, para a BW Offshore (US$ 90 milhões).

Petrobras reavalia parceria com chineses na refinaria do Comperj | Valor Econômico

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