Previ deve aproveitar bom momento da bolsa para vender ativos

RIO – Com o Ibovespa na casa dos 100 mil pontos, aumentam as oportunidades de vendas para a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que tem R$ 90 bilhões aplicados em renda variável apenas no Plano 1, de benefício definido. A estratégia é reduzir a concentração no segmento, que hoje responde por quase 50% dos investimentos, mas com um elevado fluxo de pagamento de benefícios, não será fácil a missão de reaplicar o dinheiro, em meio a ações mais caras e menor atratividade dos títulos de renda fixa.

Em 2018, os desinvestimentos em bolsa foram da ordem de R$ 8 bilhões no Plano 1. Já em 2019, a intenção é pelo menos repetir este número. “Ano passado ficou dentro do planejado. O Plano 1 é maduro e nossa perspectiva é de desinvestimento ao longo do tempo, isso não muda. O que não quer dizer que não vamos fazer novos investimentos”, disse o presidente da fundação, José Maurício Coelho.

Além da venda de CPFL Renováveis – em uma etapa já prevista dentro da venda da CPFL Energia -, a Previ também vendeu fatias de participações que tinha em empresas como Banco do Brasil e Petrobras. Em 2018, as novas aplicações em ações chegaram a R$ 700 milhões. A meta da Previ é chegar em 30% de renda variável até 2025, da fatia atual de 50%.

O reinvestimento é um desafio para a fundação, diante do alto patamar da bolsa e menor atratividade da renda fixa, por causa dos juros mais baixos. O fundo tem um elevado fluxo de pagamentos de benefícios, de quase R$ 12 bilhões por ano. “A velocidade da venda tem de estar casada com a oportunidade de reinvestimento e o fluxo de pagamento de benefícios. Para acelerar um pouco mais a venda, temos de ter onde realocar”, diz o diretor de investimentos da entidade, Marcus Moreira.

De um lado, os títulos públicos federais atualmente disponíveis estão com rentabilidade abaixo da meta atuarial da Previ. Já os crédito privado ainda não retomou a velocidade esperada, o que deve acontecer caso a reforma da Previdência fique dentro do previsto pelo mercado.

O maior desafio para a Previ é a venda de sua fatia em Vale, que em dezembro era avaliada em mais de R$ 45 bilhões. Todo este dinheiro está alocado no Plano 1, que já tem mais aposentados do que participantes ativos. O investimento é feito por meio da Litel, veículo que detém a participação junto com outras fundações.

A Previ, que tem 80% da Litel, recebeu no ano passado mais R$ 1,3 bilhão em ações da Vale, dentro do processo de migração para o Novo Mercado. O fundo chegou a ensaiar uma venda de parte da sua fatia na mineradora, entre dezembro e janeiro, antes do rompimento da barragem em Brumadinho (MG).

Quando ocorreu a tragédia, a ação da Vale valia cerca de R$ 56 e as perdas da Previ, considerando o valor a mercado, chegaram a R$ 13 bilhões na segunda-feira seguinte. O papel já se recuperou de parte das perdas, que agora representam um impacto de cerca de R$ 5 bilhões para a Previ.

No fundo de pensão do Banco do Brasil, até agosto do ano passado, a avaliação de Litel era feita anualmente pelo valor econômico. Em setembro, passou a ser mensal, determinada a partir de uma média ponderada das cotações do trimestre anterior.

“Não tem preço definido para a venda [de Vale]. Monitoramos muito as condições de mercado e as perspectivas de curto, médio e longo prazos. O desinvestimento de Vale certamente não será apenas uma operação. Serão algumas operações e teremos de ver depois se fazemos juntos com as outras fundações ou separado”, disse o diretor de investimentos. As discussões perderam um pouco de intensidade por causa do rompimento da barragem. “Vamos monitorar o preço, a reação do mercado e o momento mais adequado para pensarmos sobre isso de forma mais efetiva”.

A Previ anunciou na semana passada um superávit de R$ 6,5 bilhões em 2018 e iniciou uma série de apresentações a investidores em 15 capitais, uma espécie de “road show” anual. Na apresentação do Rio, participaram cerca de 200 pessoas que fazem parte do Plano 1 – os eventos do Previ Futuro, de contribuição variável, são separados.

Os participantes questionaram sobre Vale, atendimento presencial, redistribuição dos resultados, privatização do Banco do Brasil e influência do governo sobre o fundo de pensão. Também apresentaram dúvidas sobre o plano Previ Família, voltado aos familiares dos associados.

Em uma pesquisa com os participantes, a Previ verificou que 90% dos 10 mil respondentes demonstraram interesse para que seus familiares façam parte do novo plano, com contribuições de R$ 250 a R$ 300. A ideia é que possam entrar parentes de até terceiro grau, mas o assunto ainda deverá ser aprovado pelo conselho deliberativo. “Vemos o Previ Família como um grande avanço. Espero que até o fim do ano estejamos com o plano rodando”, afirmou o diretor de seguridade, Marcel Barros.

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