Prejuízo da Invepar mais do que dobra com resultado financeiro ruim

SÃO PAULO – A Investimentos e Participações em Infraestrutura (Invepar) registrou prejuízo líquido, atribuível a acionistas, de R$ 81,3 milhões no terceiro trimestre de 2018, montante 2,1 vezes maior em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o prejuízo da empresa foi de R$ 37,7 milhões.

Segundo a Invepar — que atua no segmento de infraestrutura em transportes, com foco em gestão e operação de rodovias, sistemas de mobilidade urbana e aeroportos —, o desempenho no período foi influenciado pelo resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 405,7 milhões, 2,62% maior em comparação ao prejuízo financeiro de R$ 395,4 milhões do terceiro trimestre de 2017.

“Ainda sobre o resultado financeiro líquido, cabe destacar que a Atualização a Valor Presente – AVP da Outorga de GRU Airport é um lançamento contábil com efeito não-caixa”, destaca a empresa.

Também na comparação anual, a receita cresceu 6,8%, para R$ 1,13 bilhão. A receita com serviços e pedágio avançou 5,5%, para R$ 1,01 bilhão, enquanto a receita de construção teve alta de 18,3%, para R$ 126,3 milhões, segundo o demonstrativo de resultados.

No relatório que acompanha os números, a companhia apresenta receita líquida ajustada, de R$ 1,01 bilhão, desconsiderando os impactos do IFRS — norma internacional de contabilidade — em relação à receita da construção. Do montante, R$ 254 milhões teve como origem as rodovias (alta de 1,6%), R$ 237,3 milhões com mobilidade urbana (queda de 3,7%) e R$ 520,5 milhões com aeroportos (12,6%).

No período, a Invepar destacou a melhora no segmento aeroportos, com recorde de passageiros, melhor desempenho em algumas áreas, como cargas, a mudança na legislação para cobrança de permanência e o início da cobrança de armazenagem aos sábados.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) subiu 13%, para R$ 606,6 milhões. Em termos ajustados, o crescimento também foi de 13%, para R$ 612 milhões, atribuído pela Invepar ao aumento da receita líquida, especialmente no segmento aeroportos, e pela administração de custos e despesas.

Mubadala

Também na noite de ontem (8), a Invepar informou que recebeu uma proposta do fundo árabe Mubadala para postergar por 90 dias o prazo de pagamento relativo à 3ª e 4ª emissões de debêntures.

Segundo a companhia, a proposta foi aprovada pelo conselho de administração. Na quarta-feira (7), o Valor adiantou que, depois de suspender a emissão de bônus no exterior, a Invepar estudava algumas alternativas para renegociar a dívida de R$ 1,2 bilhão com o Mubadala.

A empresa, segundo apurou o Valor, estava conversando com o próprio Mubadala e o fundo americano Farallon Capital Management para estender o prazo dessa dívida. O Farallon foi quem concedeu o empréstimo-ponte para o Mubadala fazer o financiamento para Invepar.

A ideia do Mubadala era comprar a Invepar mais adiante. O fundo árabe chegou a fazer uma oferta pela empresa neste ano, mas o negócio não foi para frente porque os acionistas avaliaram que o preço não era interessante.

https://mobile.valor.com.br/empresas/5976325/prejuizo-da-invepar-mais-do-que-dobra-com-resultado-financeiro-ruim

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