A ignorância e a soberba que nos custou R$ 3 bilhões e que ainda poderá nos infligir mais prejuízos e sofrimento

Da mesma forma que ocorreu quando da publicação da análise do Saboya, em 31/7/2011, sobre a operação da compra suspeita em diversos atos criminosos das ações Itaúsa ON, sem qualquer liquidez (suspeita só até aquele momento, quando ocorreu a denúncia bomba da revista Veja, em 11/6/2011), conselheiros eleitos por nós, voltam à carga com uma defesa espúria, destrambelhada, digna de quem está mais perdido que cego em tiroteio, envolvendo entidades e seus responsáveis que desconhecem a operação, desconhecem princípios da operação, enfim desconhecem totalmente o assunto investimento.

Para complicar e aprofundar nossos problemas, com a operação, houve também a troca de NTNB´s recebidas em 2001 como aporte da Petrobrás da dívida dos pré-70 (somente mais uma parte, pois ela aportou outra junto com o AOR em outubro de 2008 e ainda continua devendo valores substanciais que estão na conta dos pós 70, dentro do atual PED) e venda de parte delas para concretizar essa operação perigosa, dando prejuízo imediato de R$ 16 milhões, numa clara demonstração que os títulos recebidos não cabiam em nosso patrimônio. Serviram aliás somente para resolver o problema da dívida pública ao esticar o prazo dos seus vencimentos até 2050. O Governo Federal lucrou, a Camargo Correa lucrou, o Palocci lucrou, a cumpanheirada lucrou, somente nós, investidores e participantes da Fundação Petros tomamos um prejuízo colossal.

Alguns dos responsáveis por sua aprovação, pela forma que mais uma vez se expressam, demonstram que nada aprenderam com tudo o que ocorreu. Vamos relembrar esse assunto cansativo, mas que envolve uma parte substancial que está inserida no tamanho do nosso déficit, exatamente esse que está sendo questionado – o valor é superior a R$ 3 bilhões e é IRRECUPERÁVEL.

Junto para lembrança de todos, a análise da operação datada de 31/7/2011, a ameaça da Petros através do Boletim Eletrônico 061 e as defesas que tais conselheiros fizeram e, lógico, das respostas dada pelo seu autor, Domingos de Saboya Barbosa Filho. Para não aumentar o volume de anexos, juntei as respostas do Saboya preferindo as que foram dadas dentro dos documentos que seus autores publicaram.

Junto também a denúncia da tentativa que fizeram em uma reunião que ocorreu na Aepet, cobrada pelo falecido João Víctor, depois de ler toda a discussão que se seguiu a tudo isso. Montaram uma operação para iludir o pessoal em reunião realizada na Aepet, vide o anexo 2011 08 09 – II – OPERAÇÃO PETROS (NTN.B-ITAÚSA).pdf.

O novo documento, APAPEPRESS-063, em sua introdução e primeiro item peca pela lembrança agressiva à memória do Dr. Yvan Barreto e, com o uso de um jogo moralmente delituoso e safado nas entrelinhas, faz questão de dizer que ele, na ocasião era Presidente da Ambep. Pergunto eu, fez alguma diferença ser ou não ser presidente da Ambep? Ou é nova disputa e procuram jogar participantes contra a maior entidade de petroleiros que não se submete às suas baboseiras e afirmações mais que cretinas?

O Dr. Yvan, já não está mais entre nós e não faz parte da ação judicial que a Petros entrou por conta desse absurdo caso de Itaúsa, querem distribuir a culpa?

Às colocações do item 2 (olhem os documentos do passado, são elas que também lá estão) eles mesmos se atrapalham e se desmentem ao final do item 6: O auditor da Petros manifestou que a avaliação sobre as irregularidades do processo foi muito minuciosa e trabalhosa e que dificilmente os membros do conselho deliberativo da Petros poderiam ter visto as irregularidades que foram encontradas.” Vai por água abaixo afirmar que a compra se deu pelo excelente desempenho.

Afirmar: “ 2- O voto favorável de todos os conselheiros deliberativos à compra de Itausa foi motivado pelo excelente desempenho desse ativo no mercado, com valorização crescente e boa distribuição de dividendos. O que se confirmou ao longo dos anos e na venda dessas ações pela Petros que ocorreu ao final do ano passado.” é confirmar que erraram e feio. O valor com ágio estratosférico inviabilizava qualquer retorno via distribuição de dividendos. O tal valor crescente foi manipulado vergonhosamente, nas compras posteriores que a Petros teve que fazer para alcançar  os 15% para ter direito legal a disputar uma cadeira no CA da Itaúsa. O assento que o Gabrielli estava usando se deu, com toda a certeza, na negociata montada pelo Antônio Palocci, junto à Camargo Correa. Sua delação premiada, em vias de se tornar pública, pode esclarecer esse e muitos outros pontos do negócio.  Por infelicidade da atual gestão, Itaúsa foi vendida a R$ 10,50 por ação e em seguida começou um processo de valorização (mas entendo que surgiu a oportunidade que não seria concretizada a esse preço valorizado, pois a Zerrener queria o retorno em dividendos e não compraria o lote a R$ 13,50 por ação).

O item 3 foi desmembrado em menos de um mês pelo Saboya que pegou toda a documentação que lhe forneci e levantou rapidamente sua montagem criminosa. Nossos conselheiros discutiram a operação durantes 12 longos meses e não conseguiram enxergar nada do que ocorria DEBAIXO DOS SEUS NARIZES.

O pior disso tudo é que o maior culpado certamente é o Sr. Paulo Teixeira Brandão que, logo após a publicação da Veja e com a análise do Saboya já definida e entregue em suas mãos para apreciação e tomada de posição (aliás tenho e-mail do Saboya ao Brandão, mostrando o que poderia fazer – e ele não fez), preferiu dizer que não concordava com ela. Ou desconhecia os meandros de um ativo financeiro ou era por pura vaidade, receio de ter de assumir o erro publicamente. Com isso carregou para dentro da discussão os demais conselheiros, entidades que foram obrigados a avaliar a operação criminosa.

O item 4 vem sendo usado mais recentemente como forma de me incluir na aprovação da negociata que eles aceitaram de bico calado e aplaudindo.

Em primeiro lugar, diferentemente deles, assumi que todos nós não tínhamoscomo não temos, a capacidade técnica para avaliar a operação, seríamos, como fomos enganados pelos espertos (é mais uma prova que a gestão tem sim que ser feita por profissionais).

Fui eleito como suplente do Fernando Siqueira para o Conselho Fiscal (fruto do meu intenso trabalho em defesa da Petros e não, segundo um ex suplente de conselheiro mentiroso, que fui eleito por eles) para a gestão 2007/2011. O Guilherme de Vasconcellos era o outro conselheiro fiscal eleito na gestão 2005/2009 que abriu mão de ser presidente do CF em favor do Siqueira. O Siqueira exerceu a presidência do CF durante os seus 4 anos de mandato e somente em março de 2011 tirou alguns dias de férias.

Com isso, assumi a titularidade no CF durante as reuniões 391 (de 21/3/2011), 392 (de 22/3/2011) e 393 (de 31/3/2011), portanto, por 10 dias somente, fui conselheiro titular. O parecer do CF foi aprovado na reunião 392 por voto de qualidade.

Creio que fica claro a todos que o Parecer foi montado durante a presidência do Siqueira (evidente que não há tempo suficiente em somente duas reuniões) e ele em nenhum momento trouxe a informação sobre o negócio que fora realizado. Isso só se tornou de fato público pela denúncia da Veja, que queria atingir o governo Dilma e conseguiu, obrigando com somente a ameaça da publicação da operação (o artigo que saiu posteriormente não trazia grandes informações), a demissão do Palocci. Meses depois tentamos levantar junto à Veja as facetas do negócio e ela não nos deu qualquer tipo de informação, sinal dos seus interesses políticos também escusos certamente atendidos com o resultado alcançado.

Se os conselheiros eleitos e os indicados discutiram a operação durante 12 longos meses e que, segundo a auditoria da Petros, era de difícil percepção, portanto não viram absolutamente nada por ignorância total do assunto, como queriam que eu as enxergasse em duas reuniões, sendo também um ignorante naquele instante (hoje posso dizer que aprendi um pouco mais, sou só meio ignorante). Vamos deixar de vaidades, o autor desse trabalho hercúleo de apuração é o Saboya e a ele devemos eternamente a descoberta de um crime hediondo.

Infelizmente, um grandíssimo IGNORANTE DESSA OPERAÇÃO recorre ao uso de uma falsa argumentação como forma de tentar escapar da caca que todos eles fizeram.

Em relação ao Item 5, a Previc foi imediatamente notificada por nós (bem como a CVM) e nada fez naquele instante, arquivando o processo (a CVM idem). Tenho comigo todas os registros das denúncias levadas a esses órgãos, bem como ao MPF, PF, TCU, deputados, senadores, CPI dos Fundos, etc. Nosso grupo insistiu com notificações sequenciais que começaram a ter algum resultado na medida que nosso trabalho foi levado também para dentro do congresso. O Sr. Luiz Carlos Fernandes Afonso só foi condenado, de forma totalmente absurda, pois foi o único que a Previc (partidarizada e responsável direta também por esses acontecimentos) pegou. E o fez porque o Luiz Carlos Afonso já fora incriminado em processo aqui em São Paulo (como sempre afirmei, o chamado boi de piranha). Posteriormente a Previc também condenou a Camargo Correa pela operação em R$ 151,5 milhões.

Em relação ao item 6, também concordo que não foi somente a DE e o CD os responsáveis, houve sim também envolvimento de gerentes. Destes infelizmente não temos nomes, mas essas operações (como as que ocorreram no escândalo da Petrobrás) evidente que não podem ser executadas somente por diretores.

O item 7 é o resultado do desleixo mas também da oportunidade que foi dada ao Brandão pelo Saboya em mensagem de 3/8/2011, para assumir a postura decente e correta. Ele preferiu não aceitar. Se tivesse assumido, junto com os demais conselheiros, o erro por desconhecimento da operação, hoje, nessa ação judicial da Petros contra os diretores e conselheiros deliberativos que a aprovaram, certamente não teria chegado a essa proporção. Colo somente duas frases importantes das dezenas que trocamos durante esse processo de investigação levada a efeito pelo Saboya (análise realizada em menos de 30 dias).

Repasso a vocês o relatório da análise feita na qual fica clara e desnudada a trama na qual você Brandão e demais conselheiros eleitos foram induzidos. Devo distribuir primeiramente ao grupo mais seleto e explícito dos conselheiros e depois aos demais de minha lista imaginando que poderá ocorrer um grande estrago a do qual, Brandão, você poderá tirar um grande partido pelo fato de ter sido ludibriado em sua boa-fé e com isto carreado outros colegas entre os eleitos.

 Vale dizer, Brandão, que este estudo que ora ofereço, pode ser o mote para que haja um confronto onde a nossa chapa saia reforçada. Mas, não se iluda mais: você está tratando com homens de partido, inescrupulosos, da pior qualidade. Esta é uma oportunidade de virar a mesa.

Nos itens 8 e 9 também insistem em dizer que tomaram providências em denúncias. Concordo que tiveram que fazer isso, e só o fizeram a partir das dezenas de operações que este nosso grupo, após a operação Itaúsa, começou a enumerar e tornar pública, incluindo os valores que eram colocados como perdas. Anterior às nossas denúncias sobre prejuízos em nossos investimentos, foram quase nulas as discussões desses prejuízos. Temos como prova disso, as atas dos conselhos que demonstram os momentos em que isso foi sendo assumido.

O item 10 é o corolário do processo permissivo e de concordância que esses dois conselheiros tiveram em relação à operação criminosa. Em todos os momentos, principalmente até a gestão do Henrique Jäger, mantiveram a postura de afirmar que o investimento era bom, mas não só bom, havia sido negociado honestamente. Com a gestão Wálter Mendes, essas afirmações tiveram que ser alteradas, com a publicação de vários informativos relatando e definitivamente considerando que era totalmente correta e verídica a Análise do Saboya.

Relevo a afirmação contida nesse item 10 que A participação do fórum de decisão aprovando a compra de Itausa não poderia ser considerada ato lesivo aos participantes nem falta de diligência ou zelo com o patrimônio.”, mas o comportamento que ambos tiveram a partir do momento que foram alertados, desmente que não tiveram responsabilidade ou que a compra não seria ato lesivo, que não foi falta de diligência ou zelo com o nosso investimento. Isso pesa em nosso PED com absurdos R$ 3 bilhões volto a dizer, de forma IRRECUPERÁVEL.

 

Sérgio Salgado

Anexos:

https://www.discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2018/07/APAPEPRESS-63.pdf

https://www.discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2018/07/2011-11-28-brandão-informa-sobre-Petros-no-bloco-de-controle-Sérgio-aponta-a-DIFI-003-2011.pdf

https://www.discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2018/07/2011-09-05-Saboya-RÉPLICA-NO-TEXTO-À-MANIFESTAÇÃO-DA-FENASPE.pdf

https://www.discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2018/07/2011-09-04-Saboya-RÉPLICA-À-MANIFESTAÇÃO-DOS-CONSELHEIROS.pdf

https://www.discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2018/07/2011-08-12-Saboya-em-resposta-ao-boletim-eletrônico-Petros-61.pdf

https://www.discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2018/07/2011-08-09-II-OPERAÇÃO-PETROS-NTN.B-ITAÚSA.pdf

https://www.discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2018/07/2011-07-31-00-CASO-PETROS-ITAÚSA-CAMARGO-CORRÊA-Análise-do-Saboya.pdf

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