Greenfield – Procurador e advogado vão responder por improbidade

 

Ana Maria Campos
10/08/2017 – 22:35
Willer Tomaz e Ângelo Goulart
Crédito: O Globo/Reprodução. Brasil. Brasília – DF

Denunciados pelos crimes de corrupção, violação de sigilo e obstrução à investigação de organização criminosa, o advogado Willer Tomaz de Souza e o procurador Ângelo Goulart vão responder também por improbidade administrativa. Em ação proposta ontem, a Procuradoria da República no Distrito Federal aponta a utilização de cargo público em benefício do grupo J&F Investimentos S/A, do empresário Joesley Batista, com vazamento de informações sigilosas da Operação Greenfield.

Os dois chegaram a ser presos no mês de maio, quando foi deflagrada a Operação Patmos. Em meados de junho, passaram à condição de réus em ação penal proposta em São Paulo. Agora a ação de improbidade pede o pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 4 milhões a ser revertida ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, perda da função pública do procurador, proibição de firmar contrato com o poder público e pagamento de multa. Por conta do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal, Joesley e demais executivos da J&F não foram incluídos na ação distribuída para a 17ª Vara Federal Cível da Justiça Federal em Brasília.

Segundo a ação, além de crimes, os dois acusados cometeram infrações tipificadas nos artigos 9 e 11 da Lei de Improbidade Administrativa. Resultado de ações controladas, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin, as investigações apontaram que, valendo-se da condição de Ângelo Goulart, que integrava a força tarefa da Operação Greenfield, repassou informações ao advogado Willer Tomaz. O objetivo, segundo o MP, era atrapalhar o processo de colaboração premiada de acionistas e diretores do grupo J&F. Em troca, o procurador receberia uma mesada de R$ 50 mil, segundo a ação, além de um percentual sobre a redução da multa estipulada no acordo de leniência que, àquela altura, estava sendo negociado. Empresas do grupo J&F estavam entre os alvos da força tarefa e de outros procedimentos em andamento no âmbito do MPF.

O Ministério Público Federal tomou conhecimento da atuação de Ângelo e Willer Tomaz durante depoimentos prestados por Joesley e seu advogado Francisco de Assis e Silva, em colaboração premiada firmada na Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os indícios de provas da prática irregular dos envolvidos está o fato de Ângelo Goulart ter gravado uma reunião da Força Tarefa da Greenfield em que investigadores conversaram com um ex-sócio de Joelsey Batista. O empresário confirmou ter recebido, via Willer Tomaz, o áudio da reunião de trabalho. O mesmo procedimento foi adotado em relação a documentos sigilosos, restritos à Força Tarefa, que acabaram chegando às mãos do então investigado. Em um dos trechos do depoimento de Joesley mencionou um desses episódios. “Que seria um relatório entregue pelo Ângelo ao Willer Tomaz sobre o acompanhamento de como estavam andando as investigações da Greenfield”, afirmou o empresário em relato reproduzido na ação.

Procurador e advogado vão responder por improbidade
Ana Maria Campos
10/08/2017 – 22:35
Willer Tomaz e Ângelo Goulart
Crédito: O Globo/Reprodução. Brasil. Brasília – DF

Denunciados pelos crimes de corrupção, violação de sigilo e obstrução à investigação de organização criminosa, o advogado Willer Tomaz de Souza e o procurador Ângelo Goulart vão responder também por improbidade administrativa. Em ação proposta ontem, a Procuradoria da República no Distrito Federal aponta a utilização de cargo público em benefício do grupo J&F Investimentos S/A, do empresário Joesley Batista, com vazamento de informações sigilosas da Operação Greenfield.

Os dois chegaram a ser presos no mês de maio, quando foi deflagrada a Operação Patmos. Em meados de junho, passaram à condição de réus em ação penal proposta em São Paulo. Agora a ação de improbidade pede o pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 4 milhões a ser revertida ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, perda da função pública do procurador, proibição de firmar contrato com o poder público e pagamento de multa. Por conta do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal, Joesley e demais executivos da J&F não foram incluídos na ação distribuída para a 17ª Vara Federal Cível da Justiça Federal em Brasília.

Segundo a ação, além de crimes, os dois acusados cometeram infrações tipificadas nos artigos 9 e 11 da Lei de Improbidade Administrativa. Resultado de ações controladas, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin, as investigações apontaram que, valendo-se da condição de Ângelo Goulart, que integrava a força tarefa da Operação Greenfield, repassou informações ao advogado Willer Tomaz. O objetivo, segundo o MP, era atrapalhar o processo de colaboração premiada de acionistas e diretores do grupo J&F. Em troca, o procurador receberia uma mesada de R$ 50 mil, segundo a ação, além de um percentual sobre a redução da multa estipulada no acordo de leniência que, àquela altura, estava sendo negociado. Empresas do grupo J&F estavam entre os alvos da força tarefa e de outros procedimentos em andamento no âmbito do MPF.

O Ministério Público Federal tomou conhecimento da atuação de Ângelo e Willer Tomaz durante depoimentos prestados por Joesley e seu advogado Francisco de Assis e Silva, em colaboração premiada firmada na Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os indícios de provas da prática irregular dos envolvidos está o fato de Ângelo Goulart ter gravado uma reunião da Força Tarefa da Greenfield em que investigadores conversaram com um ex-sócio de Joelsey Batista. O empresário confirmou ter recebido, via Willer Tomaz, o áudio da reunião de trabalho. O mesmo procedimento foi adotado em relação a documentos sigilosos, restritos à Força Tarefa, que acabaram chegando às mãos do então investigado. Em um dos trechos do depoimento de Joesley mencionou um desses episódios. “Que seria um relatório entregue pelo Ângelo ao Willer Tomaz sobre o acompanhamento de como estavam andando as investigações da Greenfield”, afirmou o empresário em relato reproduzido na ação.

Ângelo Goulart, improbidade, Willer Tomaz

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