Retirada de Campos

Petrobras faz ajustes na carteira de ativos e reduz exposição a projetos em desenvolvimento na região

A Petrobras deu início a sua retirada dos campos de Xerelete e Xerelete Sul, ativos em águas profundas da Bacia de Campos, que deixaram de fazer sentido econômico nos planos da petroleira. A decisão faz parte da materialização do novo foco da petroleira, que terá apenas um projeto de desenvolvimento da produção na Bacia de Campos nos próximos três anos, além do projeto que vai redesenvolver o campo de Marlim e o Parque das Baleias.

Xerelete é uma descoberta de óleo pesado em águas profundas, da década passada. Foi declarada comercial em 2007, às vésperas da confirmação do pré-sal, e, após receber novos investimentos este ano, deixou de fazer sentido para a Petrobras – mas não para suas ex-sócias Total e BP.

“A avaliação de portfólio realizada pela Petrobras, como prática constante da gestão de seus ativos, concluiu não haver atratividade econômica na participação nos campos de Xerelete Sul e Xerelete”, informou a companhia.

A avaliação levou em conta a perfuração de um poço em Xerelete com o objetivo de testar seções mais profundas do campo, que resultou na descoberta de novos indícios de petróleo e gás em meados de 2014.

Após a saída da Petrobras, a Total terá 71% de Xerelete e 100% de Xerelete Sul, além da operação dos ativos, e uma posição oposta à da Petrobras em relação ao futuro dos campos.

“A decisão de assumir a participação da Petrobras no campo de Xerelete Sul está alinhada ao plano de negócios da Total de expandir suas atividades no Brasil e fortalecer seu compromisso de longo prazo com o país”, afirmou a petroleira francesa.

Importante notar que a mudança não faz parte do plano de desinvestimento da Petrobras, que recorreu às cláusulas de retirada dos contratos – a empresa chegou a pôr sua parte nos ativos à venda em 2013, mas não teve sucesso.

Toda a operação depende ainda de aprovação da ANP e do Cade, mas não deve enfrentar resistência.

Antes de ser um fato isolado, a medida está alinhada com a redução da exposição da Petrobras na bacia. Na mesma região onde estão os campos de Xerelete, a Petrobras tinha, ao sul, 100% do bloco BM-C-14A, integralmente devolvido em outubro deste ano, sem nenhuma descoberta adicional.

Ao norte conseguiu postergar investimentos exigidos pela ANP na descoberta de Basilisco, no BM-C-35, também uma descoberta de óleo pesado em águas profundas de Campos, em uma região sem infraestrutura de escoamento de gás. A BP é sócia do projeto com 35%.

Nesse caso, após idas e vindas na agência – que chegou a decidir que ou a Petrobras dava continuidade ao projeto ou devolvia a área –, ficou acertado que o investimento em um novo poço será postergado em pouco mais de um ano, para outubro de 2019, com prazo final da campanha em 2021.

Nesse horizonte, e se novas alterações não forem feitas com a ANP, devem ser encerrados os últimos dois projetos de exploração em operação pela Petrobras em Campos.

São os blocos C-M-333 (BM-C-28), onde há uma descoberta em fase de avaliação com prazo até junho do ano que vem, e o C-M-401 (BM-C-36), em que o PAD tem previsão de conclusão em abril de 2019, ambos 100% Petrobras. O C-M-333 é um projeto remanescente da 5a rodada, de 2003, enquanto os demais são da 7a rodada, de 2005.

A limpeza na carteira, contudo, foi feita também nos ativos já em fase de desenvolvimento. Além do fato de o último projeto da Petrobras em Campos a ter entrado em produção ter sido Papa-Terra, em 2014 — que não dá os resultados esperados e está atualmente em revisão — há apenas um no plano de negócios atual, que é Tartaruga Verde, programado para o ano que vem.

Em 2015, Maromba, projeto em parceria com a Chevron (também sócia em Papa-Terra) ainda constava no plano de negócios, mas foi retirado na revisão para 2016. A lista se encerra com outros dois campos, Catuá e Manganá, em águas rasas da porção capixaba da Bacia de Campos, que estão em devolução.

Certos, até o momento, estão os novos investimentos na revitalização de Marlim e no Parque das Baleias, com um total de três novas plataformas entre 2020 e 2021.

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/daily/bog-online/ep/2016/12/retirada-de-campos-472758.html

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