A mistificação do Fluxo de Caixa descontado

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Henrique Jäger, o no mínimo, omisso: Nas primeiras reuniões com o comitê de auditoria, Jäger deixou claro que não estava ali para promover uma caça às bruxas. Jäger admitiu que, nas gestões anteriores, a Petros perdera 25% de tudo o que aplicara em empresas privadas.

Sr. Presidente da Petros Wálter Mendes, caros participantes, bom dia!!!

 

Notem todos a gravidade do momento cruel e mentiroso que os gestores da Petros enfiaram o nosso plano e percebam quão justa está sendo a nossa imediata resposta a um Comunicado absurdo, feito ao mercado e aos participantes, neste último dia 5/9 pela alta administração da Petros.

 

A Petros publicou seu Balanço Anual no início de agosto. Antes, no dia 29/7, havia feito outro Comunicado (de onde foi tirada a planilha abaixo), informando o rombo que o plano havia atingido. Entre tantas justificativas incabíveis e totalmente sem qualquer nexo contábil, apresentadas, está outro grande absurdo que escondeu mais de R$ 1,176 bilhão na valorização do FIP Florestal (Eldorado), grifado em destaque a vermelho, do nosso déficit.

 

 

Estrutural

Família real – R$ 5,191 bilhões
Retirada limite teto operacional 90% – R$ 3,404 bilhões
Ações judiciais – R$ 411 milhões
Alteração da premissa de Taxa de Juros* e outras atualizações + R$ 1,341 bilhão

Conjuntural

Alta da inflação – R$ 6,800 bilhões
Provisão Sete Brasil – R$ 1,569 bilhão
Desvalorização Litel (Vale) – R$ 711 milhões
Avaliação Invepar – R$ 406 milhões
Avaliação Norte Energia (Belo Monte) – R$ 468 milhões
Avaliação Letra Financeira de Santa Catarina – R$ 173 milhões
Desvalorização BRF – R$ 585 milhões
Valorização FIP Florestal (Eldorado) + R$ 1,176 bilhão
Valorização JBS + R$ 284 milhões
Resultado líquido dos demais investimentos + R$ 501 milhões
RESULTADO 2015 – R$ 16,416 bilhões

 

Qual foi o recurso aplicado pela diretoria presidida pelo Sr. Henrique Jäger? Um recurso usado e esbanjado por todos os gestores das fundações que as enterraram em déficits colossais: o chamado FLUXO DE CAIXA DESCONTADO.

 

O fluxo de caixa descontado nada mais é que você se vestir de pitonisa e pegar um momento X no futuro de determinada empresa e afirmar que naquele instante seu negócio ou seu investimento teria atingido uma enorme valorização e trazer essa valorização para o momento presente. Essa forma de análise não é consensual, ao menos em gestor com responsabilidade e que tem a perfeita noção que a maioria das situações sejam financeiras ou administrativas que ocorrem ao lado da sala da presidência, no dia a dia da sua empresa, não são do seu conhecimento.

 

Esse recurso foi usado na maioria dos investimentos que estão enterrando o nosso plano, Invepar, Itaúsa, Belo Monte, Sete Brasil, Lupatech etc. etc. etc. etc. etc.. O resultado está aí em nossa cara, R$ 23,1 bilhões para ninguém botar defeito.

 

Por favor, leiam abaixo, que saiu hoje no Valor Econômico e leiam com atenção o que está ocorrendo com esse investimento e do qual colo o primeiro parágrafo

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O Sr. Henrique Jäger também tem que ser ouvido com urgência pelo MPF e pela PF, pois não é possível que desconhecesse a conjuntura do setor de celulose e sobre isso não pusesse em dúvida a construção da nova fábrica (feito que está por trás do tal fluxo de caixa usado na avaliação). Não adianta se esconder por trás da conhecida alegação de ter se baseado em laudos independentes para tomar esse tipo de decisão. A Deloitte fez esse laudo justo no momento que se fechava o balanço de duas das fundações que estavam com rombo elevado e precisavam minimizá-lo, a Petros e a Funcef. A Deloitte, como não poderia deixar de ser, está também indiciada na Operação Greenfield.

 

Caro Presidente Wálter Mendes será que isso basta para lhe chamar a atenção ao fato que não foram gestões anteriores a 2011 as responsáveis pelo rombo da Petros, mas todas elas estão direta ou indiretamente envolvidas, umas porque praticaram atos, no mínimo, culposo (quiçá chegarão a dolosos, ao menos em alguns casos) e outras porque, não só os praticaram mas, ainda, foram OMISSOS.

 

Por essa omissão estamos todos sendo obrigados não só a pagar metade do rombo, mas gastar ainda mais dinheiro para nos tentar proteger com ações judiciais.

 

Pense nisso, por favor,

Sérgio Salgado

 


Investigações pesam sobre planos da Eldorado

O envolvimento da Eldorado Brasil, produtora de celulose da J&F Investimentos, em duas investigações de pagamento de propina e fraudes dificulta o acesso a linhas de financiamento para o projeto de expansão de R$ 10 bilhões da fábrica de Três Lagoas (MS), na avaliação de fontes da indústria e do mercado financeiro. Além disso, a conjuntura desfavorável do setor de celulose, com sinais crescentes de sobreoferta por um período maior do que o esperado, pode representar um obstáculo aos planos da empresa.

Em pouco mais de dois meses, a companhia foi alvo de duas operações de busca e apreensão da Polícia Federal em seu escritório. Na mais recente, esta semana, batizada Greenfield, a Eldorado se viu envolvida em uma investigação de fraudes e desvios de recurso em fundos de pensão ligados a estatais – incluindo dois de seus acionistas, Petros (dos trabalhadores da Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal).

Pelo cronograma atual, a companhia prevê fechar, até novembro, a estrutura de capital do projeto de R$ 10 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões serão captados junto aos atuais acionistas e a entrada de um novo sócio ou uma oferta inicial de ações (IPO) não estão descartadas.

Com a investigação nos fundos, porém, a percepção é a de que essa fonte de recursos estaria inacessível, ao menos por enquanto. Petros e Funcef são donas de 17,06% da Eldorado Brasil, enquanto a J&F Investimentos, dona da JBS, detém 80,9%. Em uma primeira nota distribuída na segunda-feira, na esteira da operação da PF, a J&F informou que o investimento dos fundos valia, em dezembro, seis vezes mais do que o valor aportado em 2009, de R$ 550 milhões.

“De acordo com último laudo independente (Deloitte) emitido em dezembro de 2015, a participação dos fundos atualizada é de R$ 3 bilhões”, informou a companhia. A auditoria também foi alvo da operação. Em outra nota, distribuída no mesmo dia à noite, a holding informou que esses valores constam de “laudos de duas renomadas auditorias independentes”.

O FI-FGTS, que está no centro da Sépsis, outra investigação da PF que também envolve a Eldorado, entraria com R$ 1,3 bilhão a R$ 1,5 bilhão para a construção da nova linha de celulose. A operação Sépsis foi deflagrada em 1º de julho, dentro da Operação Lava-Jato, com base em depoimento de delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto, que revelou a existência de um suposto esquema de propina para liberação de recursos do fundo.

Segundo Cleto, o empréstimo de R$ 940 milhões fechado pela Eldorado para financiar obras relacionadas a sua primeira fábrica teria sido tratado diretamente por ele com o presidente do conselho de administração da companhia, Joesley Batista. Para liberar os recursos, Cleto teria recebido R$ 680 mil em propina.
Após a operação, a companhia contratou o escritório Veirano Advogados e a Ernst & Young “para apuração das alegações relacionadas ao processo de financiamento com FI-FGTS”. Há duas semanas, informou que os trabalhos de investigação estavam em andamento.
Outros R$ 2,5 bilhões da expansão devem ser financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e cerca de US$ 700 milhões, levantados junto a agências de crédito à exportação (ECAs, na sigla em inglês) da Europa e da Ásia.

A Eldorado já opera uma fábrica de celulose em Três Lagoas, que entrou em atividade em novembro de 2012 após investimento de R$ 6,2 bilhões, e pretende instalar uma nova linha, com capacidade de até 2,5 milhões de toneladas por ano.

Segundo fonte da indústria, a companhia está trabalhando, mas em ritmo lento, no projeto de expansão, que pelo planejamento original entraria em operação em 2017, porém com capacidade inferior em 1 milhão de toneladas em relação ao tamanho atual. A previsão é que a linha comece a produzir em 2019.

Procurada, a Eldorado informou “que continua focada na viabilidade do programa de crescimento”.

http://www.valor.com.br//empresas/4702219/investigacoes-pesam-sobre-planos-da-eldorado

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