Crise na PETROS. Fique tranquilo ???????

Sérgio Salgado

Caros participantes,
Recebi, por cópia, a mensagem abaixo, de companheiro que esteve presente à palestra de conselheiros eleitos, em 5/7/2016, promovida pela Aepet, na ABI, no Rio de Janeiro.


De:
Data: 6 de julho de 2016 20:29
Assunto: Petros
Para:
Prezados, na palestra dos Conselheiros da PETROS promovida pela AEPET ontem na ABI, eles afirmaram que, se nada for feito, o patrimonio da PETROS só cobrirá os benefícios por pouco mais de 20 anos. Estimaram que as dívidas da PB com o PPSP somam R$ 12,7 bilhões, o que seria suficiente para cerca de mais 5 anos. Portanto, para quem pretende viver além deste prazo e não quer ter seu benefício reduzido ou zerado, os Conselheiros sugeriram que pressionem as Associações e os Sindicatos para estes promovam ações administrativas e judiciais no sentido de obrigar a PETROS a cobrar as dívidas da Petrobras com o PPSP.


Eles não quiseram fornecer uma estimativa do aumento das contribuições a partir de 2017, mas eu fiz uma “conta de padaria” e cheguei ao valor mínimo de 20%. O conteúdo das apresentações estará disponível no site da AEPET. Boa sorte para todos nós, ativos e aposentados.


 

Coincidentemente, primeira 3ª feira do mês, ocorria a reunião mensal dos aposentados do Sindipetro RJ, coordenada pelo companheiro Roberto Ribeiro, com a presença de outro conselheiro eleito que deu a informação abaixo:


O conselheiro do fundo, Paulo Brandão fez uma apresentação de mais de 40 minutos na qual explicou como se formou o déficit de 27% apresentado no exercício de 2015. O déficit total do PPSP em 2015, no valor de R$ 22,6 bilhões, deverá ser excluído o limite de tolerância denominado Limite de Déficit Técnico Acumulado – LDTA, de R$ 6,5 bilhões, resultando em um montante a ser equacionado de R$ 16,1 bilhões, dividido igualitariamente entre os patrocinadores (50%) e os participantes e assistidos do Plano (50%), conforme regra paritária estabelecida na Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 20/1998.

“É preciso ter tranquilidade e queremos deixar isso bem claro. A situação hoje não pode ser considerada alarmante. O déficit atual se faz por conta da atual conjuntura econômica. Ninguém vai mexer nas aposentadorias e pensões atuais. Já tivemos situações piores como em 1987 quando o déficit chegou a 127% do patrimônio líquido do Petros” – afirmou Brandão ao explicar os números do fundo de pensão dos funcionários do Sistema Petrobrás.


Para ajudar na compreensão do que vem ocorrendo, como sempre me valho de alguns arquivos, incluindo neles parte de um vídeo, gravado aqui no Sindipetro LP também em palestra desses conselheiros, exatamente há um mês, 5/6/2016, onde a afirmação do conselheiro eleito Ronaldo Tedesco é desmentida agora na palestra ocorrida no ABI pelo … conselheiro eleito Ronaldo Tedesco.

Entenderam?

É público e notório a quantidade de afirmações que esses conselheiros fizeram, pressionados que foram durante estes anos todos por análises, estudos e informações que nosso grupo providenciou. Nossas análises foram desdenhadas, jamais respondidas ou questionadas, nunca debatidas e sempre evitados os esclarecimentos necessários. Diga-se de passagem que esses esclarecimentos eram devidos e obrigatórios, mas não a nós, que publicamos nossa opinião, mas ao participante comum, em respeito a ele somente.

Para ajudar, colo ainda, texto produzido pelo S.O.S. PETROS, surpreso como eu, sobre esses conflitos produzidos pelos conselheiros eleitos, “indicados pelo CDPP”.

Há até bem pouco tempo, os participantes da Petros só recebiam mensagens tranquilizadoras, tanto por parte da diretoria quanto dos conselheiros eleitos. Diziam que o déficit que se avolumava era transitório, e que o patrimônio sólido da Petros garantiria o pagamento das aposentadorias por mais de trinta anos. A FUP, por sua vez, simplesmente ignorava o rombo crescente e afirmava que o Acordo de Obrigações Recíprocas – AOR – havia resgatado para sempre o equilíbrio da Petros. Mais uma conquista histórica da categoria, sob a liderança do sindicalismo petista. 

 Eis que agora, sem mais nem menos, os conselheiros eleitos mudaram o tom de sua conversa. Em recentes declarações, dadas coisa de um mês após a gravação de um vídeo em que dois deles mais uma vez tranquilizam os participantes frente ao colossal déficit que o PPSP apresenta, declaram publicamente que os recursos são suficientes para os próximos 20 anos apenas, e que ficaremos na miséria se não acionarmos a Petrobras para que pague uma dívida com o PPSP que eles estipulam em valor superior a 12 bilhões de reais. Mesmo estando correta a colocação dos conselheiros, é de estranhar muito essa mudança repentina de humor. No decorrer de algumas semanas transitou-se do mar de rosas para o tsunami.

 É de cogitar se tal manobra radical no discurso não tenha a ver com as mudanças em Brasília, que transformaram o PT e outros partidos da esquerda em oposição.

 Resta observar o que virá da FUP, para quem o AOR havia resolvido todos os nossos problemas. No que pode significar um primeiro passo no sentido oposto ao que vinha caminhando, a entidade já declarou Pedro Parente como inimigo número um da categoria.

Quem nos acompanha durante todo esse tempo, não viu em qualquer instante que tenhamos feito declarações conflitantes ou incoerentes daquilo que vínhamos enxergando na gestão governista da Petros. Pequenos erros que possam ter surgido foram corrigidos quase de imediato, nada porém que nublasse nosso trabalho. Nossas análises e críticas sempre objetivaram evitar o estágio atual.

Finalmente eles acordaram para o momento trágico (ou será mágico?) de uma declaração em que não vai faltar grana, como se ouve claramente no vídeo anexo para a que, se nada for feito, a grana só dura vinte anos.

Persiste porém o remédio que eles sugerem para esse doente: o problema são as dívidas da patrocinadora com a Petros e nada tem a ver com os investimentos temerários e alguns já apontados como criminosos que estão afundando com a nossa fundação.

Entendam melhor, o Acordo de Obrigações Recíprocas, AOR, foi assinado em 2006, quase 10 anos se passaram e ninguém fez nada para dar sequência à briga que ocorreu na 18ª vara do RJ, com a nossa ACP de 2001. Ao menos é isso que dá para se deduzir da declaração desses conselheiros ao sugerirem que nós pressionemos associações e sindicatos para que se promova ações administrativas e judiciais de forma a obrigar a Petros a cobrar as dívidas da Petrobrás com o PPSP.

Então eles estão todo esse tempo dominando os conselhos, trocando de cadeiras, participando das direções das entidades e dos sindicatos (um deles é sempre diretor ou assessor jurídico nessas entidades) e nada fizeram e, agora, ainda jogam a responsabilidade em cima de todos nós? Será que já não basta termos todos que pagar a conta pelo rombo que só meia dúzia fez com a complacência da outra meia dúzia que devia estar vigilante (pois alertados sempre foram)?

Muito pior nessa declaração tão aviltante, é comungar com a irresponsabilidade dos nossos gestores e vestirem, todos esses conselheiros, a camisa da gestão e não do participante, avalizando declarações estapafúrdias e já desmentidas em resultados que nosso grupo vem obtendo, como aconteceu com o Relatório final da CPI dos Fundos de Pensão, com a confirmação pela Previc da irregularidade da operação Itaúsa, com o processo aberto pelo TCU, de que o problema é atuarial e que o momento econômico é ruim, ou como declarou aquele conselheiro no vídeo que a crise é mundial, evidente que não sabe do que está falando. Esse tipo de declaração, além de tudo, pode prejudicar o trabalho que os advogados que estão ou serão contratados, terão de fazer.

Querem somente cobrar dívidas (no atual estágio de crise da Petrobrás???) que cobrem mas não se valham do acobertamento para as bobagens que fizeram quando prevenidos no caso Itaúsa, atrapalhando o trabalho alheio e dando opinião sobre o que desconhecem!!!

Sérgio Salgado

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