Polícia Federal indicia José Dirceu por ilicitudes com Hope e Personal

Ex-ministro petista é suspeito de receber vantagens ilícitas sobre contratos da Petrobras com as empresas Hope Recursos Humanos e Personal Service. Ele já foi condenado a 20 anos de prisão e é réu em outra ação penal

07/07/2016 às 15:08 – Atualizado em 07/07/2016 às 15:12

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, durante audiência que ouve os presos da operação Lava Jato na CPI da Petrobras, no prédio da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, na manhã desta segunda-feira (31)O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, durante audiência que ouve os presos da operação Lava Jato na CPI da Petrobras, no prédio da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba(Vagner Rosário/VEJA.com)

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu por corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. O petista é suspeito de receber vantagens ilícitas sobre contratos da Petrobras com as empresas Hope Recursos Humanos e Personal Service. No relatório de indiciamento do petista, a PF o classifica como “José Dirceu, o VIP”.

Foram enquadrados no indiciamento, além de Dirceu, outros sete investigados: o lobista e delator da Lava Jato Milton Pascowitch, seu irmão José Adolfo Pascowitch, o ex-assessor do petista Roberto ‘Bob’ Marques, os executivos ligados à Hope Rogério Penha da Silva e Raul Andres Ortuzar Ramirez, o presidente da Personal Service, Arthur Edmundo Alves Costa, e Wilson da Costa Ritto Filho. O relatório de 25 páginas da Polícia Federal que indiciou os oito investigados foi concluído em 22 de junho.

É a terceira vez em que a Lava Jato enquadra Dirceu criminalmente. Ele já foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 20 anos e dez meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa – o ex-ministro teria recebido propinas do esquema Petrobras por meio de sua empresa, a JD Consultoria e Assessoria. Na semana passada, o petista virou réu em uma ação penal pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertinência a organização criminosa em um esquema de cobrança de propina de empresas de tubos fornecedoras da estatal petrolífera.

No inquérito policial, indiciar corresponde a imputar a algum suspeito a autoria de determinado ilícito penal. Não significa, contudo, que o Ministério Público Federal concordará com os argumentos e denunciará os envolvidos.

No documento, ao imputar a Dirceu o crime de lavagem de dinheiro, o delegado Marcio Anselmo acusa o ex-ministro por “por ter dissimulado, de várias maneiras, o recebimento de vantagens ilícitas no âmbito de contratos mantidos por empreiteiras e prestadoras de serviços da Petrobras, por meio da empresa Hope, prestadora de serviço terceirizado na área de RH da Petrobras, mediante o custeio de hospedagens”.

O Relatório de Análise da PF aponta que a Hope, que firmou contratos de mais de 3,5 bilhões de reais entre 2007 e 2011, “custeava diretamente despesas pessoais de José Dirceu, o VIP”. Seriam “várias hospedagens no hotel Sofitel no Rio de Janeiro, carro e motorista e até mesmo hospedagem para a namorada”.

“Frise-se que o custo de cada diária, com suíte de luxo do hotel, era de 1.900 reais a diária, ainda no ano de 2011. Importante ainda destacar a menção ao Jr. (Wilson da Costa Ritto Filho), indicando que o mesmo tinha participação direta nos fatos”, aponta o documento.

No relatório de indiciamento, a PF destaca mensagens trocadas entre funcionários da Hope e da JD Consultoria e Assessoria. “O nível de intimidade do VIP com seus mantenedores era tamanho que a funcionária Simone (Assistente da Diretoria) da Hope destaca que a empresa assumiria qualquer gasto extra, além de solicitar que atentem para as preferências do VIP inclusive pelo mesmo quarto”.

O documento da Polícia Federal aponta que Rogério Penha, Raul Ramirez e Wilson Ritto Filho foram ouvidos e negaram “manter contatos com José Dirceu e Roberto Marques” e ter repassado valores a Milton Pascowitch. Arthur Costa, segundo o relatório da PF, se apresentou à Superintendência e ficou em silêncio. Wilson Ritto não foi localizado.

(com Estadão Conteúdo)

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/policia-federal-indicia-pela-terceira-vez-jose-dirceu-o-vip

Print Friendly, PDF & Email