Petrobras retoma petroquímica

O plano de negócios e gestão 2019-2023 divulgado ontem pela Petrobras marcou o retorno da estratégia para petroquímica, segmento do qual a empresa havia decidido sair no plano 2017-2021, e o aumento de 35,1% de aportes destinados para a área de gás e energia, em relação ao plano anterior (2018-2022). No total, a petroleira prevê investir US$ 84,1 bilhões no período, valor 12,8% maior que o estimado no plano anterior.

O carro-chefe dos investimentos continuará sendo a exploração e produção (E&P), com recursos previstos de US$ 68,8 bilhões. Mas os desembolsos estimados em petroquímica (US$ 300 milhões) e gás e energia (US$ 5 bilhões) indicam uma nova fase, olhando para o futuro, após dois anos de estratégia agressiva de redução de custos e de endividamento e venda de ativos.

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No caso da petroquímica, a Petrobras olha para o setor como uma atividade integrada ao refino. "Hoje as empresas de petróleo, assim como a Petrobras, têm que olhar a petroquímica como sendo uma possível utilização quando a curva de demanda de óleo tende a ter uma reversão. O ativo petroquímico faz mais sentido quando ele entra em integração com sua capacidade de refino", disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Rafael Grisolia, em teleconferência com analistas sobre o plano. Os investimentos previstos em petroquímica serão destinados a projetos integrados aos ativos de refino da estatal.

Com relação à Braskem (petroquímica onde a estatal é sócia da Odebrecht), Grisolia disse que aguarda definição do processo entre a LyondellBasell e seu sócio para avaliar se acompanha a venda.

Em gás e energia, o foco será otimizar a posição da empresa no segmento de gás natural. "Somos uma empresa que tem uma relação em torno de 80% óleo e 20% gás. E participar do mercado global de GNL [gás natural liquefeito] é importantíssimo, para conectar o nosso mercado doméstico, que sempre será o mercado mais importante para a Petrobras, com o mercado global, permitindo a captura de custos de oportunidade e eventualmente arbitragens que possam ser possíveis ao longo do caminho", disse o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da empresa, Nelson Silva.

Questionado por analista se o próximo presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, teve ingerência no plano, Silva não respondeu diretamente mas disse que o plano é da empresa, e não de "uma ou duas pessoas". Segundo ele, mais de cem pessoas participaram da elaboração do documento, ao longo de oito meses de trabalho.

A estatal voltou a ser alvo ontem de operação da Polícia Federal.

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