Wílson Santarosa, Paulo Guedes e as denúncias com tratamento diferenciado de locupletação com os fundos de pensão

Há muito este nosso grupo, que se ateve, – a partir da análise do Domingos de Saboya sobre a fraude operacional em que se constituiu a compra das ações, ilíquidas, da holding Itaúsa, cujo prejuízo, irrecuperável para a Fundação Petros, que envolveu um ágio absurdo e sem qualquer justificativa técnica, chegou aos R$ 3 bilhões -, a investigar e denunciar, documentadamente, as diversas outras operações dos investimentos da nossa Fundação, culminando com depoimento na CPI dos Fundos de Pensão apontando essas e diversas outras operações que nos causavam estranheza e suspeição, mas em especial os casos Itaúsa e Lupatech, sabia que a Previc era um órgão partidarizado e ocupado por indicação a dedo daqueles que mantinham interesses escusos nos fundos de pensão (joias da coroa ao se considerar o volume de capital que alcançam – hoje em torno de R$ 860 bilhões). Objetivo número um da proposta da criação do órgão = OMISSÃO TOTAL E SILÊNCIO SEPULCRAL SOBRE OCORRÊNCIAS DENUNCIADAS.

Foram dezenas de denúncias, várias do nosso grupo, que a Previc, com sua forma omissa de agir, deixou correr frouxo desde sua criação pelo mesmo governo que dela também tomou posse. O silêncio sepulcral de quem deveria por obrigação fiscalizar os investimentos de toda uma vida de milhares de participantes deu, como resultado, um déficit colossal, em grande parte fraudulento e criminoso e que está sendo bancado exatamente por aqueles que nada sabiam ou pouco podiam ter feito e com a aceitação tácita desse mesmo órgão.

A prova testemunhal da partidarização desse órgão governamental se revela, mais uma vez, através de duas notícias importantes, ambas publicadas ontem, dia 10/10/2018, e acima anexadas, mas cuja origem se deu durante o governo do pt, nos idos de 2010.

A primeira, investigação da Lava Jato, a partir da delação do criminoso palocci (onde também apresentamos nossas desditas em pelo menos 3 oportunidades) envolve o amigo do peito do criminoso lula da silva, Wílson Santarosa. Apesar de estar sendo investigado enquanto gerente de comunicações da Petrobrás, onde teria distribuído dinheiro à vontade a mídias amigas e também a artistas consagrados, ele foi denunciado por nós que entendemos da sua responsabilidade por atuar como presidente do CA (sem qualquer capacidade técnica para tal, considerando sua falta de conhecimentos e currículo) da Lupatech, empresa que acabou praticamente falida e que nos deu prejuízo acima dos R$ 700 milhões. Sequer discutimos aqui o tempo que ocupou como presidente do CD da Petros onde fez e desfez, a mando da patrocinadora Petrobrás dominada pelo pt, e contra todos os participantes, ativos e aposentados.

A segunda também envolvendo mais uma vez as fundações, envolve o economista Paulo Guedes que estava sendo cotado para ministro da fazenda num possível Governo Bolsonaro, onde também teria se beneficiado de operações suspeitas e que teriam trazido prejuízo aos fundos de pensão.

A primeira notícia só está sendo levada adiante em face da continuidade da investigação, como resultado da recente aceitação da delação do criminoso ex-ministro palocci. A Previc até o momento não tomou qualquer iniciativa, exceção à punição aplicada ao Luiz Carlos Fernandes Afonso (que havia sido incriminado em operação ocorrida quando ele era secretário da Marta Suplicy aqui em SP) e mais tarde, em face da nossa insistência em não aceitar resultados pífios, quando finalmente descobriu que alguma coisa estranha ocorrera com a operação e também puniu a Camargo Correa (se a construtora pagou multa nada sabemos). Sobre a atuação do amigo do criminoso lula, até o momento nada, ao menos não tivemos nenhuma outra resposta das nossas denúncias.

Em absoluto defendemos A ou B, ambos, se investigados e julgados com direito a defesa e incriminados devem sim ser severamente punidos, mas vê-se claramente a distorção do encaminhamento dado pela Previc com tratamento diferenciado ao Santarosa e ao Paulo Guedes. De se notar também, até onde se entrevê da notícia, a diferença ocorrida no tamanho do possível prejuízo que ambos nos deram. O Santarosa, só com Lupatech, ultrapassou os R$ 700 milhões e o Paulo Guedes, atingiu valor em torno dos R$ 20 milhões. Ainda que o prejuízo fosse somente de R$ 1 certamente deveriam sofrer punição – mas que o tratamento é curioso, lá isso é.

Porém a cafajestada está exatamente no modus operandi. Tanto as ocorrências do Santarosa quanto do Paulo Guedes se deram nos idos de 2010 e nada foi feito, ABSOLUTAMENTE NADA. Pior ainda, operação (caso do Paulo Guedes) que agora ela, Previc, aponta como prejudicial aos fundos de pensão e que dormia em berço esplêndido desde 2010, foi encaminhada somente agora, 2/10/2018 – vejam o procedimento investigatório anexo, numa nítida operação que também deveria sofrer investigação por parte do próprio Ministério Público. Se estavam com os documentos, se receberam o encaminhamento do resultado da CPI dos fundos de pensão, que ocorreu em 14/4/2016, qual o real motivo do seu encaminhamento somente agora?

E nossas denúncias? E as denúncias dos nossos conselheiros? E aas denúncias de diversos outros participantes? A grande maioria foi devidamente arquivada.

No entanto a Previc, omissa em todos os sentidos, nada apurou e mesmo recebendo informações de possíveis atos fraudulentos (entendendo aqui estar respaldado por ambas as notícias anexas) não levou em consideração as responsabilidades dos autores e preferiu punir os participantes, jogando para cima de todos a responsabilidade pelo prejuízo dos fundos de pensão. Esses órgãos fiscalizadores (a CVM é a outra grande responsável e agora sob investigação do TCU) são responsáveis por mortes e doenças precoces de pessoas idosas que trabalharam uma vida toda para ter o descanso e a paz de espírito e estão hoje em uma rua de amargura.

Perdão a todos, mas a nossa briga não é mais direita contra a esquerda, nossa luta é honestidade contra a desonestidade, cabe a cada um ou a todos nós, pensarmos bem e optarmos pelo país que ainda queremos deixar para nossos netos.

Espero sinceramente que Wílson Santarosa e Paulo Guedes sejam investigados e inocentados mas punidos severa e exemplarmente em caso contrário. Porém entendo que o atual candidato que o indicaria para ministro deve tomar medidas urgentes e pedir sua saída da sua campanha até que tudo seja apurado e esclarecido, ou perderá sua credibilidade antes mesmo de começar.

Sérgio Salgado

ET – fora eu alguma coisa, eleito, passaria o rodo em todos os órgãos de fiscalização deste país, investigando responsabilidade e punindo todos os transgressores. Só seremos um grande país quando pensarmos grande e acima de interesses pessoais

 

2018 10 01 - Procedimento investigatório 1.16.000.002730-2018-67 - envolvimento de Paulo Guedes
2018 10 10 - Procuradoria investiga guru de Bolsonaro sob suspeita de fraude
2018 10 10 - Lava Jato deve investigar amigo de Lula que trabalhava na Petrobrás

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