Quem é e quais são os desafios do novo diretor da Petrobras

Rafael Mendes Gomes foi eleito pelo CA da companhia para o lugar de Elek Junior

Em 26/04/2018

O Conselho de Administração da Petrobras elegeu o advogado Rafael Mendes Gomes como novo diretor executivo de Governança e Conformidade da companhia. Gomes substitui João Adalberto Elek Júnior, cujo mandato se encerra no próximo dia 30 de abril.

Gomes é um nome relativamente desconhecido no mercado de óleo e gás, mas seu currículo e atributos indicam que sua área de atuação nos últimos anos está coerente com o cargo. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado em Direito Empresarial pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e em Negócios na Era Digital pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV/SP), atuava como responsável pela área de Compliance do Chediak Advogados, além de ter sido responsável pelo programa de compliance do Walmart Brasil.

Fontes consultadas pela Brasil Energia Petróleo, embora não conhecessem o executivo, elogiaram a escolha, sobretudo pelo aparente processo seletivo conduzido para a escolha do executivo. A Petrobras afirma que Gomes foi eleito em lista tríplice de profissionais de mercado, com notório reconhecimento, pré-selecionados por meio de processo conduzido por empresa especializada em recursos humanos. Além disso, o executivo foi objeto de prévia análise pelo Comitê de Indicação, Remuneração e Sucessão do Conselho de Administração da Petrobras

O executivo assume a função em meio à incômoda – tanto para a Petrobras quanto para a indústria – lista de bloqueio cautelar, em vigor desde 2014, ainda na gestão de Graça Foster, após as primeiras revelações da Lava Jato. Outro desafio é a adequação da Petrobras à Lei das Estatais.

Atualmente, 79 empresas seguem impedidas de serem contratadas pela petroleira. Depois de quatro anos é imprescindível aos grupos envolvidos e até mesmo à Petrobras que essa questão seja solucionada em definitivo, seja para sentenciar a liberação de alguns grupos e/ou decretar o bloqueio definitivo.

Outro grande desafio do novo diretor será destravar os processos internos da companhia, engessados pelas regras de compliance adotadas na gestão de Elek, e desfazer o clima de apreensão que tomou conta da maior parte dos funcionários. Tanto dentro quanto fora da Petrobras prevalece a percepção de que o caminho crítico é a governança com foco na otimização do controle e na elaboração de um novo modelo de gestão. Não é incomum encontrar executivos da companhia que alertem para o fato de que volume de controle, não quer dizer bom controle

Em entrevista no Canal Migalhas no Youtube no ano passado, Gomes dizia que não via ainda as estatais se adequando à nova legislação e que os administradores que não se adequassem à lei ficariam sujeitos a responsabilização. Em outra entrevista, ele diz ver uma mudança de postura do empresariado brasileiro no sentindo de adotar códigos de conduta. Gomes tem ainda outras palestras e entrevistas publicadas na mesma rede nas quais trata do tema da lei anticorrupção, compliance e ética. Veja abaixo outros posicionamentos do executivo.

Elek Junior, que está de saída, assumiu o cargo em fevereiro de 2015, em meio ao ápice do escândalo descoberto pela operação Lava-Jato. Em 2017, o nome do diretor esteve envolvido numa polêmica em razão da contratação da consultoria Deloitte, sem licitação, empresa na qual sua filha disputava uma vaga de emprego. Ele foi afastado temporariamente do cargo, após advertência aplicada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República (CEP) mas foi reconduzido após a CEP acatar seu pedido de reconsideração.

No mercado, houve quem visse no afastamento e posterior retorno um processo de fritura do diretor. Sua gestão vinha sendo criticada pela indústria pela permanência de diversas empresas na lista de bloqueio cautelar da empresa. O desejo das empresas era que as empresas pudessem voltar a fechar negócios com a Petrobras, com a punição dos devidos culpados. Havia casos de empresas que já tinham firmado acordo de leniência, mas continuavam na lista de bloqueio cautelar.

Em meados de 2017, a Petrobras aprovou a criação do novo cargo de diretor adjunto dentro da diretoria de Governança e Conformidade para dividir as funções com Elek. O novo diretor adjunto, Paulo José Alves, passou a ser responsável pelos controles internos da companhia, que incluem investigações e denúncias.

https://bepetroleo.editorabrasilenergia.com.br/quem-e-e-quais-sao-os-desafios-do-novo-diretor-da-petrobras/

Print Friendly, PDF & Email