Postalis encerra fundo de direito creditório

A gestão atual do Postalis, fundo de pensão dos Correios, encerrou os fundos de investimento em direitos creditórios não padronizados (FIDCs NP). "Com isso, reduziram-se os custos com taxas administrativas e honorários advocatícios", afirma relatório divulgado pela entidade, em que lista as principais medidas da intervenção, que completou 180 dias e foi renovada esta semana por mais 180.

Os FIDCs NP foram estruturados no final de 2016 como estratégia para reaver perdas resultantes de investimentos que deixaram de pagar o que havia sido acordado e deram prejuízo à fundação. Com valor de face de R$ 5,8 bilhões, a carteira de créditos "podres", que tinha sido marcada a zero, foi reavaliada a R$ 1,1 bilhão ao ser transferida para os FIDCs, resultando num ganho contábil para o Postalis. Após a intervenção, foi determinada a baixa contábil desses fundos, em novembro do ano passado, nos planos BD e PostalPrev.

A manobra com os FIDCs foi um dos motivos para que a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) decidisse pela intervenção no fundo de pensão no início de outubro e nomeasse Walter Parente como interventor. O Postalis já havia informado que a Previc e o interventor estudavam a melhor forma de tratar essa questão, e que o objetivo principal era manter o pagamento normal dos benefícios do plano.

Entre as medidas em andamento, o Postalis cita o "desenvolvimento interno de um sistema para acompanhamento dos FIDCs para aprimorar os controles e aumentar a transparência e a robustez do processo", mas não detalha.

O fundo de pensão também negocia com a Previc para assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que visa estabelecer uma estratégia previdencial efetiva para solucionar as questões relacionadas ao plano BD Saldado. Menciona, ainda, a elaboração de estudo, pela empresa de atuária Mercer, para o equacionamento de déficit do plano BD Saldado, com o objetivo de evitar a liquidação.

O interventor Walter Parente, diz o documento, intensificou os esforços para a recuperação de ativos já provisionados. O documento menciona que o Postalis questiona na Justiça passivos trabalhistas oriundos dos investimentos FIP Mezanino (RN Naval), SPE/REM e Grupo Canabrava. O relatório não dá mais detalhes, mas cita ainda a elaboração de um plano de reenquadramento dos investimentos e de otimização da gestão terceirizada.

Ainda em relação aos investimentos, está em andamento a precificação dos investimentos mais relevantes, "com vistas a se ter um conhecimento real dos patrimônios dos planos de benefícios". O Postalis também contratou um escritório de advocacia para prestar assistência ao Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da ação civil pública promovida contra o banco BNY Mellon, para dar maior celeridade ao processo na Justiça. Em janeiro, o Ministério Público Federal de São Paulo, com o apoio da Previc e do Postalis, ingressou com uma ação civil pública, cobrando mais de R$ 8 bilhões do banco americano.

O gestão atual também trabalha na mudança da sede do Postalis. O objetivo é reduzir, de forma "significativa", os valores pagos com aluguel e manutenção do atual imóvel localizado em Brasília.

http://mobile.valor.com.br/financas/5431079/postalis-encerra-fundo-de-direito-creditorio

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