Eletrobras tem passivo de R$ 100 bilhões, diz ministro

Fernando Bezerra Coelho Filho afirma que empresa tem prejuízos com implantação de hidrelétricas e Angra 3, além de dívidas com empréstimo compulsório

[01.09.2017] 23h12m / Por Matheus Gagliano

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, disse que a Eletrobras tem hoje um passivo que chega a R$ 100 bilhões e que atualmente a companhia não tem capacidade para gerar valor para sociedade mas vem "drenando recursos públicos considerados escassos". Coelho enviou uma carta a todos os senadores e deputados, nesta sexta-feira (1/9), na qual justifica a opção do governo pela privatização da empresa. Parte desse passivo foi contraído entre as décadas de 1970 e 1980. O ministro enviou a carta diante da resistência de parte dos senadores e deputados em apoiar a privatização da companhia.

Coelho explica que dos R$ 100 bilhões, R$ 20 bilhões referem-se à custos de geração nos sistemas isolados não reconhecidos nas tarifas; R$ 10 bilhões relacionam-se à paralisação de Angra 3; já custos derivados de antigos empréstimos compulsórios contraídos há décadas podem somar cerca de R$ 14 bilhões. O montante inclui ainda "prejuízos" aproximados de R$ 20 bilhões decorrentes de investimentos em projetos como a construção das usinas de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio; além da ameaça da passivos ambientais e trabalhistas.

O ministro acrescentou ainda que a empresa tem de arcar com penalidades impostas pela Aneel com multas por causa de atrasos em obras de geração e transmissão. Todas essas questões exigem que o governo faça aporte de recursos na empresa, que acaba sendo repassado aos consumidores, encarecendo as tarifas, e ainda trazendo questionamentos judiciais. “Esse modelo de financiamento de ineficiências está exaurido”, diz o ministro em um trecho da carta.

Coelho deve comparecer ao Senado para tratar da proposta de privatização da Eletrobras. Requerimento com esse objetivo foi aprovado na Comissão de Infraestrutura (CI) na última terça-feira (29/8) e a reunião será em conjunto com a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), mas ainda não há data definida.

A mobilização do ministro, que se encontra na China, na comitiva do presidente Michel Temer, acontece em meio a informações de que deve trocar de partido, e em meio a uma crise causada pela desafetação de uma área de preservação ambiental permanente que envolve reservas minerais entre o Pará e o Amapá.
http://brasilenergia.editorabrasilenergia.com/daily/bec-online/governo/2017/09/eletrobras-tem-passivo-de-r-100-bilhoes-diz-ministro-475772.html

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