Fundos investiram em Sete Brasil e OAS, que entraram em recuperação judicial

2016-904339857-2015-865108195-2015-865039438-dru1.jpg_20151109.jpg_20151110.jpgSonda Urca, uma das mais adiantadas da Sete Brasil, empresa que pediu recuperação judicial – Divulgação

RIO E SÃO PAULO – Dos dez investimentos feitos por fundos de pensão investigados na Operação Greenfield, da Polícia Federal, dois foram em empresas que acabaram entrando em recuperação judicial — Sete Brasil e OAS — e que têm, hoje, dívidas somadas de R$ 28,9 bilhões. A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal e um dos principais alvos da operação da PF, provisionou R$ 1,9 bilhão para perdas com investimentos nas duas companhias.

A Sete Brasil recebeu aportes não apenas da Funcef, mas de outros fundos de pensão, como Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Valia (Vale). Todos esses fundos eram cotistas do FIP Sondas, constituído para viabilizar a empresa, que construiria 28 sondas para o pré-sal. Com a crise da Petrobras, após a Operação Lava-Jato, a estatal suspendeu as encomendas.

Sem as encomendas, a Sete Brasil entrou em recuperação judicial em abril, com dívida de R$ 19,3 bilhões. A empresa ainda busca US$ 5 bilhões (R$ 16 bilhões) para concluir 12 sondas e negocia com Petrobras e outras empresas do setor o aluguel dessas unidades. A Funcef fez uma reserva de R$ 1,7 bilhão em 2015 para as prováveis perdas com o FIP Sondas. E teme ser alvo de credores da Sete Brasil, caso esta vá à falência.

A OAS também recebeu investimentos de fundos de pensão via FIP: o FIP OAS Empreendimentos, criado para investir em projetos da própria companhia, braço de incorporação imobiliária do grupo. A reforma no tríplex do ex-presidente Lula no Guarujá, que é alvo da Lava-Jato, foi feita pela subsidiária.

Em dificuldades financeiras após a deflagração da Lava-Jato, a OAS Empreendimentos e mais oito empresas do grupo entraram em recuperação judicial no ano passado e, hoje, acumulam dívidas de R$ 9,6 bilhões, segundo fontes a par do processo. A Funcef aportou R$ 400 milhões no FIP OAS, quando a companhia já dava prejuízo, e hoje tenta recuperar R$ 200 milhões por meio de arbitragem. Já provisionou R$ 170 milhões para o FIP em 2015.

Funcef, Petros e Previ também são sócias da OAS na Invepar, empresa que opera a Linha Vermelha e o VLT, no Rio, além de integrar o consórcio responsável pelo Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Cada fundo tem cerca de 25% na empresa, que também é alvo da Operação Greenfield. A OAS tentou vender sua fatia na Invepar para a canadense Brookfield, mas o negócio não foi à frente. Até agora, a OAS só conseguiu se desfazer da Samar, uma pequena empresa de saneamento no interior paulista.

NA INVEPAR, INJEÇÃO DE R$ 1 BI

Em meio à incerteza sobre sua sociedade e com dívida elevada, a Invepar emitiu R$ 2 bilhões em debêntures (títulos da dívida) em janeiro de 2016. Os três fundos de pensão deram nova injeção de capital à empresa, ao subscrever metade dos títulos. Mês passado, no entanto, a Invepar vendeu suas operações no Peru. Com a venda, pretende quitar a dívida com seus sócios e demais investidores que aderiram à operação e reduzir o endividamento de R$ 12,8 bilhões, no fim do segundo trimestre, para R$ 8,7 bilhões.

Outra empresa que recebeu investimento via FIP e que é alvo da investigação da PF é a Eldorado Brasil, braço de celulose do Grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. Eles foram afastados da direção da JBS, maior processadora de carnes do mundo, e da própria J&F, respectivamente, após a Greenfield.

Os executivos são investigados por suspeitas relativas à fusão das empresas Florestal e Eldorado, que teriam se beneficiado do aporte de capital da Funcef e da Petros, com prejuízo aos dois fundos. A Eldorado tinha dívida de R$ 7,6 bilhões no fim do segundo trimestre. Petros e Funcef têm 8,5%, cada, na companhia. A empresa informou que o departamento jurídico ainda estuda que providências tomar.

Em julho, agentes da PF já haviam estado na sede da Eldorado, no âmbito da Lava-Jato, após o depoimento do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, indicado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), revelar a existência de um esquema de propina para liberação de recursos do FI-FGTS.

http://m.oglobo.globo.com/economia/fundos-investiram-em-sete-brasil-oas-que-entraram-em-recuperacao-judicial-20066602

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