NEGÓCIO CONDENADO PELA PREVIC E PELA CPI DOS FUNDOS DE PENSÃO RESPONDE POR 18,5% DO DÉFICIT DO PPSP EM 2015

pendurado

Em 30 de dezembro de 2010 a Petros adquiriu da Camargo Corrêa e outros, pagando prêmio de controle, cerca de 12,7% do capital votante da Itaúsa, holding que controla o banco Itaú. Investiu na operação R$3,09 bilhões, que correspondiam a  6,3% do patrimônio do PPSP na época.  Para saldar a aquisição foram vendidos títulos federais no valor de R$2,6 bilhões, complementados com recursos oriundos de outras fontes.

Na época, o ex-diretor da Petros Domingos de Saboya demonstrou a inconsistência da operação, que aumentava desnecessariamente o risco, uma vez que os títulos vendidos para cobrir 84% da aquisição pagavam a meta atuarial. Além disso, o ativo adquirido possuía baixíssima liquidez e o prêmio de controle, que levou o preço do papel às nuvens, era totalmente inócuo, pois não garantia participação ativa na gestão. Para completar, os proventos distribuídos pela Itaúsa historicamente mostravam-se muito inferiores à meta atuarial. Saboya foi severamente criticado pelos Conselheiros eleitos que haviam aprovado o negócio, e a Petros chegou a ameaçá-lo com ação na justiça por ter publicado suas conclusões.

 

Em 2015 a Previc detectou irregularidades no negócio e puniu o diretor de investimentos da Petros que havia conduzido a operação. Identificou ainda na Camargo Correa responsabilidade por causar um prejuízo de R$ 151,5 milhões à Petros. A CPI dos Fundos de Pensão também enxergou irregularidades nessa aquisição.

 

Vejamos os reflexos da operação  nos resultados da Petros em 2015, que apontou déficit superior a R$23 bilhões (R$22,6 bilhões no PPSP).

 

As ações ordinárias da Itaúsa (ITSA3) fecharam o ano de 2015 com o valor unitário de R$7,03, valor utilizado no cômputo do resultado da Petros em 2015,

 

As perdas totalizadas, somente no lote inicial de 213 milhões de ações adquiridas em 30/12/2010, atingem o valor atualizado de R$2,15 bilhões. Somando o déficit de remuneração do investimento em relação à meta atuarial, o resultado é impactado em mais R$680 milhões, também referentes somente à aquisição inicial. Ocorre que, por determinação de seu Conselho Deliberativo, a Petros continuou a comprar o papel, até atingir o percentual de 15% do capital votante. Acrescentando-se as perdas em capital e proventos com essa aquisição adicional, estimadas em R$250 milhões, chega-se a um total de R$3,08 bilhões.

 

O PPSP é dono de 97% desse investimento, assimilando uma perda de R$2,99 bilhões. Se, em lugar de Itaúsa, a Petros tivesse investido em ativos que retornassem a meta atuarial, o déficit do PPSP seria reduzido para R$19,6 bilhões, dos quais R$13,2 bilhões deveriam ser equacionados, em lugar dos R$16,2 apurados. Uma redução de 18,5%.

 

Considerando que aproximadamente metade do déficit se deve a questões atuariais, Itaúsa responde por 37% da parcela do déficit gerada por desempenho insuficiente dos investimentos.

 

.Segundo reportagem da revista Veja de junho de 2011 (edição 2221) o ex-ministro Antônio Palocci teria intermediado a compra pela Petros dessa carteira de ações. A operação rendeu para Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras, uma bem remunerada cadeira no Conselho de Administração da Itaúsa, cedida por cortesia pelas famílias controladoras do grupo Itaú.

 

As ações ordinárias da Itaúsa têm baixíssima liquidez e o seu valor de mercado, como se viu acima, está muito abaixo do valor pago atualizado. Traçar uma estratégia para liquidar esse ativo num prazo adequado, sem realizar prejuízo, é um dos grandes desafios que esperam Walter Mendes, o novo presidente da Petros.

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