Plano para zerar rombo da Petros deve ser inevitável

A alta dos preços dos títulos públicos neste primeiro semestre de 2016 deve ter ajudado a diminuir o déficit de R$ 22,6 bilhões registrado pela Petros no plano de aposentadoria dos funcionários da Petrobras ao fim de 2015, número que foi apurado e divulgado ao mercado somente na semana passada. Em dezembro de 2014, o déficit atuarial era de R$ 6,2 bilhões.

A melhora na carteira de renda fixa, contudo, não deve ser suficiente para impedir que a entidade tenha que elaborar um plano para equacionar o rombo, que deve exigir aumento de contribuição dos participantes e da estatal patrocinadora a partir de 2017.

Conforme divulgado pela Petrobras na quinta-feira, o buraco verificado excede em R$ 16,1 bilhões o limite de tolerância de déficit para o plano, que é de R$ 6,5 bilhões. É esse excesso de déficit que terá que ser equacionado em um prazo de até 18 anos por aumento das contribuições.
Os investimentos da Petros tem sido citados em investigações e denúncias que apontam influência política em decisões que causaram prejuízos aos participantes, bem como por aplicações que teriam desobedecido as políticas internas da entidade.

Na sexta-feira, a Polícia Federal deflagrou a Operação Recomeço, que prendeu três pessoas acusadas de envolvimento de desvios de até R$ 100 milhões em investimentos feitos pela Petros e pelo Postalis, fundo de pensão dos funcionários do Correios, em debêntures emitidas pela Galileo, empresa do ramo de educação.

Em nota, a Petros informou que já vem colaborando e seguirá colaborando com as autoridades. “Caso venha a ser comprovada qualquer ilegalidade, as medidas cabíveis serão tomadas para responsabilizar os eventuais envolvidos no sentido de recuperar os recursos”, diz o texto.
Em relação ao crescimento do déficit, a Petros procura dizer que ele se deve a uma conjunção da fatores, tanto de natureza estrutural como conjuntural.

No primeiro grupo, a entidade destaca uma atualização do modelo de composição familiar dos participantes usado para estimar o passivo futuro. Segundo a Petros, há um “aumento da expectativa de vida, novos casamentos e participantes com mais idade tendo mais filhos”.
A entidade também citou o “cenário econômico adverso” como motivo para impacto na rentabilidade, “assim como as provisões da perda do investimento na Sete Brasil e a alta da inflação, que aumentou o passivo atuarial”.

O Valor pediu que a Petros detalhasse o efeito de cada um desses itens no crescimento do déficit ao longo de 2015, mas não obteve resposta até o fechamento deste edição. Em relação aos investimentos em títulos de dívida privada que lhe deram prejuízo e estavam em desacordo com as políticas da entidade, identificados e mensurados após um estudo feito pela EY, a Petros disse que recuperou R$ 42 milhões até abril deste ano.

http://www.valor.com.br//financas/4614553/plano-para-zerar-rombo-da-petros-deve-ser-inevitavel

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