Desfaçatez e indecência

Sérgio Salgado

O cruel dessa manifestação é o expressivo conluio entre os gestores ineficientes e esses conselheiros eleitos, atingidos, estes últimos, na operação Itaúsa pelo Relatório final da CPI.

Ao justificar o rombo absurdo que nossa fundação alcançou, insiste, da mesma forma como vem fazendo o Sr. Henrique Jäger, que o problema está fundamentado essencialmente na  “…  queda brutal dos resultados da macroeconomia nacional.” Essa afirmativa é de uma desfaçatez assustadora, própria de quem está pouco se lixando para a gravidade da situação. Ativos em renda fixa ou renda variável proporcionam lucro até mesmo quando há caos na macroeconomia nacional como é o momento que estamos vivendo.

A própria informação repassada pelo Informativo do Participante nº 14, de maio último, demonstra isso, ainda que de forma indireta, pois totalmente desnecessária ao nosso caso. Lembrando que esse informativo exaltava ganhos acima da meta atuarial no primeiro trimestre de 2016. A falta de relatórios comprobatórios nos permite pensar que parte desses ganhos (em RV) se deve muito mais à inércia do que à movimentação das aplicações nas empresas em que investimos. A tradução correta para isso é que, no período, nada vendemos, nada compramos, e, assim essa informação se deve ao fechamento mensal o que leva ao falso argumento desses ganhos.

Recordando mais uma vez, nossa economia continua um caos, com picos atingidos na área do desemprego, inflação e recessão, mas a Bolsa de Valores continua firme, forte e proporcionando os mesmos lucros a quem vende e compra não a quem engaveta seus ativos, como demonstram os relatórios publicados até novembro de 2015. Prova disso, há diversas reportagens que apontam investidores internacionais ganhando rios de dinheiro em cima de preços das ações de empresas que estão em grande dificuldade de se manter.

A carteira principal da Renda Variável da nossa fundação está montada de tal forma que inviabiliza uma correção que contemple a troca rápida dos nossos ativos – gravíssimo e nunca denunciado com afinco por eles que plano maduro não pode estar formatado dessa forma, ou seja enfiaram os ovos em poucas cestas!!!

Há com toda a certeza problemas muito mais sérios em nossos ativos que não se refletem no valor que cada um deles aponta a cada fechamento mensal. O primeiro deles e que puxa o carro chefe do destrambelho que jogaram nosso dinheiro, está na sua execução temerária e que a Operação Lava Jato e o próprio Relatório Final da CPI demonstrou ao deixar à mostra os diversos fios soltos em todos eles.

A questão Itaúsa que caiu nas malhas da CPI e da Previc (após exaustivas denúncias que nosso grupo fez) jamais é citada nos comunicados desses dois conselheiros. A operação segundo a Previc foi considerada irregular, puniu envergonhadamente somente o Luiz Carlos Afonso (daí ambos os conselheiros responsáveis terem afirmado que isso não era da responsabilidade deles, lembra bem a Dilma no caso Pasadena) e posteriormente (foi muita insistência nossa mesma e com documentos) apontaram a responsabilidade da Camargo Correa que teria lucrado R$ 151,5 milhões operando fraudulentamente. Se considerarmos a questão do ágio, da perda de rendimentos vis a vis as NTNB´s trocadas e vendidas na operação para a compra dessas ações, a perda, IRRECUPERÁVEL, IRREVERSÍVEL, atinge valor acima de R$ 1 bilhão.

Infelizmente há mais, destaco abaixo alguns deles que fazem parte da Carteira em Participações

– O fundo de ações da Vale (fundo exclusivo) teve valores avaliados positivamente, prejuízo de outro R$ 1 bilhão.

– Invepar, avaliada irrealmente pelo dobro, prejuízo de R$ 1,3 bilhão e ainda pode vir a ser maior

– Sete Brasil – em recuperação judicial – sem comentários – prejuízo total – R$ 1,4 bilhão

– Lupatech – em recuperação judicial – sem comentários – prejuízo total – R$ 550 milhões

– Dasa – prejuízo de R$ 530 milhões

– Brasil Pharma – prejuízo de R$ 400 milhões

– Telemar – prejuízo de R$ 1 bilhão

– Norte Energia (usina Belo Monte) – avaliação irreal – R$ 500 milhões.

Soma-se a isso a manipulação atuarial executada com a conivência da patrocinadora no Acordo de Obrigações Recíproca que elevou irrealmente a dívida que não será paga JAMAIS pela Petrobrás em dezembro de 2013 (+47,06%) em R$ 2,6 bilhões. Não contente com isso, o balanço da Petrobrás já antecipou que esse valor foi novamente elevado em 18,79% o que equivale a outros R$ 1,875 bilhões.

Fechando o pacote, acrescenta-se o valor que ao final de novembro de 2015 era de R$ 868 milhões em provisão para devedores duvidosos (perda total).

Enfim são esses sim os verdadeiros inocentes úteis que vão ajudar a defesa da fundação Petros contra nós todos, seus participantes indefesos, ao avalizar e defender contra o óbvio a política operada pelos seus gestores, de que os nossos problemas são atuariais e não têm nada a ver com a aplicação irregular do nosso dinheiro.

Cabe aqui uma pergunta final aos dois conselheiros eleitos “indicados pelo CDPP”: a quem ambos servem?

 

Sérgio Salgado

 

ET1 – Caro conselheiro há que se ter sempre coerência e você é um completo ser incoerente ao falar duas línguas, conforme ambas possam servir a seus interesses, afinal argumentar na CPI da Petrobrás com elogios à Sete Brasil e mais recentemente usar a CPI como justificativa para a discussão do PLP-268 e agora afirmar que CPI não vai resolver etc. etc.? Defina-se meu caro, ou a coisa é boa ou é ruim, boa e ruim não dá e só político interessado em se reeleger eternamente usam essa falsa argumentação.

 

ET2 – Estamos com novo Diretor de Investimentos. Como foi indicado já sob nova direção na Petrobrás, há alguma possibilidade que o seu currículo não esteja também detonado como pertencente ao PT, como é o caso dos currículos dos demais diretores. Em sendo assim, vamos acompanhar com muita atenção o que vai acontecer a partir deste início do segundo semestre e torcer por sua total profissionalização.

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