Investimentos Petros e as justificativas da diretoria

Sr. Presidente da Petrobrás, Pedro Pullen Parente

Sr. Presidente da CPI dos Fundos de Pensão, Dep. Efraim Filho

Sr. Relator da CPI dos Fundos de Pensão, Dep. Sérgio Souza

Sr. Sub-Relator da CPI dos Fundos de Pensão, Dep. Marcus Pestana

 

Caros participantes, demais relacionados,

Faço, abaixo, seguidas, três colagens de texto, retiradas do primeiro Depoimento do Presidente da Petros, Sr. Henrique Jäger, dado à CPI dos Fundos de Pensão, em 1/9/2015. Grifo as partes necessárias aos meus seguidos questionamentos e/ou comentários.

Na sequência, acrescento partes de alguns arquivos que vão anexos para ajudar a compreensão do que está acontecendo com a nossa Fundação.

Vamos aos fatos. Segundo declarações dadas à CPI, o Sr. Henrique Jäger, tinha, como única “virtude” a adicionar ao seu currículo e, com isso, comandar um orçamento de R$ 68,1 bilhões (dados de 31/12/2015), estar filiado a um Partido Político, partido este que dominou, fruto de uma grande e elaborada estratégia, as grandes fundações de previdência privada, patrocinadas pelas 4 grandes estatais (Previ, Petros, Funcef e Postalis) a partir do final dos anos 90. Como resultado, conforme Relatório Final da CPI, esses fundos estão produzindo um déficit colossal, mais de R$ 77 bilhões.

Com essa bagagem curricular o Sr. Jäger assumiu a presidência da Petros em 2/3/2015, trazendo com ele mais 3 filiados a esse Partido Político para completar a Diretoria Executiva da Fundação Petros. São eles:

– Sr. Lício Fernando da Costa, como Diretor de Investimentos, que acabou envolvido e denunciado na Operação Lava Jato. Convocado pela CPI dos Fundos de Pensão para dar explicações, não compareceu apresentando atestado médico. Esse foi também foi o motivo alegado para a sua saída dessa diretoria em 15/4/2016.

– Sr. Fernando Paes de Carvalho, como Diretor de Seguridade, ex-presidente do Sindipetro-NF

– Sr. Danilo Ferreira da Silva, como Diretor Administrativo e Financeiro, ex-dirigente do Sindipetro-SP e ex-dirigente da FUP

Estes dois últimos, fazem parte do quadro de empregados da Petrobrás, e nela nunca exerceram cargos em nível superior ou que lhes desse conhecimento técnico da função.

Página 19 do depoimento

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Página 59 do depoimento

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O primeiro grande Ato dessa Diretoria, Ato esse IRRESPONSÁVEL, início de março/2015, foi aceitar implantar um Acordo executado entre a Petrobrás e a Federação Única dos Petroleiros, a FUP (QUE NÃO TEM QUALQUER REPRESENTATIDADE DOS PARTICIPANTES ASSISTIDOS), chamado de Acordo de Níveis. Esse Acordo, gerou de imediato um déficit/rombo de cerca de R$ 3 bilhões, em valores atualizados, aos cofres da Fundação Petros. Estatutariamente a Petrobrás, como patrocinadora, assumiu executar aportes nesses casos específicos, portanto esse Acordo obrigava um aporte da patrocinadora. A Petros, a FUP e a Petrobrás, as três envolvidas diretamente nesse ato, através de seus jurídicos, apontaram em Parecer Técnico a necessidade do aporte, cada um a seu modo. Como a Petrobrás não fez o aporte (o Estatuto da Petros reza o assunto, de forma objetiva e muito clara, em artigo próprio), sobrou para os participantes a sua futura cobertura.

O resultado de uma base curricular tão deprimente, não poderia ser mais catastrófico aos seus participantes pois, a sequência de atuação dessa Diretoria, levou o déficit recebido da gestão anterior a inacreditáveis R$16,1 bilhões em novembro de 2015, com previsão de fechamento final para valores entre R$ 20 e 25 bilhões, conforme já antecipado em declarações que esses atuais gestores deram à mídia.

Como resultado da tragédia política pela qual passa nosso pobre país, nada muda mas ainda assim seus atores tentam transformar o fedor angustiante em perfume francês. As diretorias dessas fundações, designadas muito mais por outros critérios que não os técnicos, tentam se manter desesperadamente, apresentando situações extemporâneas que esse quadro político provoca no mundo financeiro, mostrando situações no mínimo duvidosas já que não apontam os detalhes das operações.

O Balanço das nossas contas de 2015 até este momento não nos foi apresentado. Esse atraso está respaldado em justificativa absurda aceita pela Previc, que emitiu já em 2015, norma que permitiu empurrar o fechamento do ano dos fundos de pensão para 31 de julho. Ao que nos consta a Petros é a única fundação a usar o recurso argumentando para isso sua quantidade de planos. Neste ano a justificativa mudou para a demora da análise das contas pela empresa contratada para dar o aval. Como até 2014 a Fundação nunca apresentou atraso para apresentação dos seus balanços, causa espanto justificativas tão medíocres.

Nestes últimos dias a diretoria da Petros apresentou publicamente dois informativos (14 e 15, colados em sequência abaixo) que desmentem a necessidade de atraso do balanço anual e por um motivo muito simples, não dá para você fazer balancete se não houver base de dados para isso. Logicamente, essa base de dados vem a ser o trimestre anterior, o quarto de 2015 que engloba o fechamento do ano. São ambos loas indevidas a si próprios, jogam confete para o alto sobre suas cabeças.

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Nem é necessário dizer que usam argumentos falsamente positivos, ou melhor bastante discutíveis e sem dados relatoriais comprováveis, para apresentar aos novos patrões, na esperança de se manterem à frente da nossa fundação.

Em relação ao primeiro informe é importante esclarecer que os títulos federais (renda fixa) estão marcados a mercado. A tradução disso significa que os valores individuais dos títulos, semelhante ao que ocorre com a renda variável, sofre o momento financeiro totalmente instável. Dessa forma, esse valor individual disparou, provocando a alegada valorização. Essa valorização só acontece se a Fundação realizar o lucro (ou mesmo o prejuízo), vendendo o título. Ainda que o rendimento em juros semestrais acompanhe o valor individual do título, portanto sobe e muito, a Petros não explica se o rendimento obtido é fruto do rendimento financeiro (sic) do título ou se é somente a alteração no valor individual do título, usado como referência ao final de cada mês.

Da mesma forma, pode-se afirmar em relação à nossa renda variável, cujo valor individual também subiu neste início de 2016. O índice Bovespa saiu de 45.000 para 50.000 pontos, pura especulação de quem é jogador de bolsa, considerando que a crise financeira é dramática com desemprego elevado, inflação idem, fechamento de empresas, queda geral no consumo. Já afirmei anteriormente, especulador ganha sempre, com ações em alta ou em baixa mas, para isso, executa sua venda ou seja, não mantém ativos engavetados.

A Petros não faz qualquer referência a esse detalhe (da renda variável) porém pode-se comentar que a situação é a mesma da renda fixa, com um agravante em nosso caso, a RV está aportada em ações em participações, aquelas cuja ordem de grandeza se dá em valores percentuais muito elevados. Isso é uma forma de garantir a indicação de conselheiros – a cumpanheirada – nessas empresas, neste caso não para vigiar o rebanho, como seria o praxe, mas para aumentar suas rendas mensais. Quem tiver a curiosidade de acompanhar as atas dessas empresas terá a surpresa de ver que não há qualquer ponto de pauta importante apresentado por esses conselheiros. No caso Lupatech (uma das poucas empresas que, por fornecer conhecimento técnico na área de petróleo, poderia ser uma exceção), chegamos a manter 4 conselheiros deliberativos e mais 2 conselheiros fiscais. Para não afirmar que a empresa foi à falência, melhor dizer que está em recuperação judicial.

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Assim, além de ficarmos impossibilitados de venda de algumas dessas ações (derrubando seu valor nominal, em caso de venda e gerando prejuízo imediato), uma outra, e grande, parte sequer é negociada em bolsa e está avaliada acima da realidade, com o emprego do famoso recurso Fluxo de Caixa Descontado (que permite aos gestores incompetentes fazer avaliação do bem empregando informações que não dominam no futuro – sequer conseguem gerir o presente…).

Esse recurso, para se ter uma ideia foi usado em Itaúsa que nos causou em prejuízo incalculável e irrecuperável e também em Invepar, quando pagamos no leilão de Guarulhos o ágio de 373%, aliás em ambas as empresas pecamos por pagar ativos com valores acima do que valiam.

O Informativo nº 15 traz a afirmação da alteração do percentual empregado em Renda Fixa e Renda Variável, que havia atingido níveis temerários: em torno de 45,44% em variáveis + estruturados, contra 44,78% em fixo, em março de 2015. Sem relatórios que o comprovem fica difícil uma boa análise, mas é necessário afirmar que o valor individual dos títulos federais (renda fixa da Petros atingiu 53,26% – contra 35,52% em renda variável em março de 2016) alcançou altas expressivas, boa parte em valores acima de 10%. Isso pode significar que, longe de se ter obtido a inversão percentual entre os dois tipos de ativos, isso pode ter sido conseguido somente mediante a valorização dos títulos da renda fixa, portanto uma ocorrência meramente inercial.

Houve ainda aumento substancial na rubrica Imóveis (quase 1%) e num momento de queda de valores acentuada no mercado, além do aumento dos empréstimos aos participantes o que pode indicar, segundo repasse do Raul Rechden, que as alterações no perfil dos investimentos tenham um forte componente de desvalorização das carteiras de estruturados e de renda variável.

Há porém fato mais graves, não publicados internamente (aos participantes, através de informativos) mas trazidos externamente via mídia (nesse caso necessário tomar conhecimento do anexo – 2016 06 01 – Relatório Reservado 5380 – Fundos de pensão pegam um desvio para longe da Invepar – grifado.pdf).

Em 23/2/2016, o ex-Diretor de Investimentos da Petros, Lício Raimundo da Costa, em respostas a questionamentos que fazíamos sobre investimentos da Petros, postou no portal da Fundação o arquivo 2016 02 23 – Petros – Esclarecimentos sobre a gestão da Petros.pdf, também em anexo, do qual extraímos a colagem seguinte. Vejam vocês suas afirmações sobre a rentabilidade da Petros em Invepar, que teriam atingido um acumulado de +262,38%.

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Com isso, em 1/9/2015 em seu depoimento, o Sr. Henrique Jäger teve a ousadia de afirmar à CPI que a taxa interna de retorno do investimento feito em Invepar havia sido de 24% ao ano, um excelente investimento para a Petros nas suas palavras.

As duas informações são absurdas e totalmente falaciosas, recurso de quem despreza a inteligência alheia. Invepar não é negociada em bolsa e suas ações foram valorizadas de forma irreal e comprometedora. Uma dessas avaliações ocorreu em dezembro de 2013 (23,68%), quando a gestão Petros manipulou o fechamento do balanço da Petros, derrubando o déficit que alcançaria mais de 10% dos ativos, o que obrigaria uma imediata discussão do rateio e num momento particularmente difícil para a patrocinadora. Há sérios indícios de concordância para essas alterações (foram várias as alterações) por parte da Petrobrás.

Página 30 do depoimento

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Quem se interessa pela nossa Fundação, há de se lembrar das várias análises que aqui foram postadas, executadas pelo Raul Rechden. Não há necessidade de publicá-las outra vez, exceção a uma das últimas que desmascara tudo isso e confirma o que ele cansou de prevenir  (vide o anexo 2016 05 04 – Discrepantes – Invepar – da mistificação cor de rosa à brutal realidade do vermelho.pdf). Como um dos tantos investimentos da Petros, a Invepar se encaminha para uma provável inadimplência, ao mostrar sua incapacidade de pagar a outorga neste último dia 17 de maio. Já no pagamento da outorga anterior, houve necessidade de aporte por parte dos 3 fundos (Petros, Previ e Funcef), na forma de compra de debêntures.

O arquivo Relatório Reservado traz o que já se esperava. Fruto de gestores desqualificados para o cargo, após enfiarem R$ 333 milhões cada uma (Petros, Previ, Funcef) ou o total de R$ 1 bilhão, em dezembro/2015, para que se pagasse essas mesmas dívidas, a tentativa dos três presidentes das fundações Petros, Previ e Funcef junto às suas patrocinadoras sugere, como bem disse o Raul particularmente, que os 3 se propõe a sair desse ativo de forma bonita, como se estivessem salvando essas fundações do caos que nelas se instalou com tantos desatinos. Resumindo isso, buscam permanecer em seus cargos, contra a vontade de todos os participantes que conhecem o que todos eles fizeram. Para se ter a exata noção do que representa esse bilhão enfiado pelos 3 fundos em dezembro em debêntures da Invepar, o valor representa 25% do preço que a Brookfield propôs pela parte da OAS (R$ 1,35 bilhões).

Durante o processo de discussão da compra da quarta parte de Invepar que pertence à OAS, envolvida na operação Lava-Jato, a empresa canadense buscou ainda a compra de 51% do capital votante da Invepar. A oferta foi desdenhada pelas 3 fundações. Agora com o barco indo à pique, os solertes gestores se propõe, junto às suas patrocinadoras, sugerir a saída daquela concessionária. De excelente investimento a um investimento em que os fundos de pensão pegam um desvio para ficarem longe dele.

No caso da Petros é de se lembrar casos como Lupatech, Dasa e BR Properties. Em cada um há uma única justificativa para os nossos prejuízos que somados, alcançam quase R$ 1 bilhão em valores atualizados, incompetência temerária.

São esses os gestores que controlam mais de R$ 300 bilhões em ativos de participantes ativos e assistidos que pagam e pagaram para terem um futuro digno e veem seus benefícios se esfumaçarem no ar sem serem responsabilizados pelos atos de verdadeiro vandalismo que praticam ou praticaram à frente das nossas Fundações.

Sérgio Salgado – Matrícula 0319531

Anexos:

2016 06 01 – Relatório Reservado 5380 – Fundos de pensão pegam um desvio para longe da Invepar – grifado

2016 05 17 – Valor on-line – GRU Airport não deposita R$ 1,1 bi em conta reserva para outorga

2016 02 23 – Petros – Esclarecimentos sobre a gestão da Petros

2016 05 04 – Discrepantes – Invepar – da mistificação cor de rosa à brutal realidade do vermelho

 

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