Oposição se movimenta na Câmara em busca de assinaturas para a CPI dos Fundos de Pensão

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Liderada pela bancada do PPS, a oposição faz nesta terça-feira (24), no plenário da Câmara dos Deputados, um mutirão para a coleta de assinaturas com o objetivo de criar a CPI dos Fundos de Pensão. Até a manhã desta terça, o pedido já tinha o apoio de 114 deputados, mas de acordo com o Regimento Interno da Casa é necessário um mínimo de 171 assinaturas para viabilizar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Até o momento, somente deputados de 12 partidos assinaram o pedido de CPI. Outras 15 bancadas ainda não deram qualquer apoio, aí inclusas, por exemplo, as do PT, PCdoB, PDT, PROS e PTB. No PMDB, que conta com 66 deputados, somente quatro referendaram o requerimento.

De acordo com o líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno (PR), a expectativa é de que até quarta-feira (25) seja possível alcançar o número de assinaturas. Apesar de cinco CPIs já estarem funcionando na Câmara, número máximo permitido, o parlamentar acredita que, com os apoios garantidos, será instalada a CPI dos Fundos de Pensão em no máximo quatro meses.

Bueno alertou para a urgência da investigação diante dos verdadeiros rombos de que têm sido vítimas os fundos de pensão das estatais. “Rombos que, em sua quase totalidade, são fruto da administração temerária de gestores nomeados pelas estatais que lhes patrocinam: Correios, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, e como não poderia deixar de ser, a Petrobras”, ressaltou.

Rombo bilionário

A situação do fundo dos funcionários dos Correios é dramática e atinge mais de 90 mil trabalhadores. “No Postalis o prejuízo acumulado, de R$ 5,6 bilhões, já superou o valor de seus ativos líquidos, que é de R$ 5 bilhões”, exemplificou Rubens Bueno.

Na edição da última segunda-feira (23), o jornal “O Estado de S. Paulo” informou que funcionários dos Correios tentam evitar, por meio de uma batalha judicial e pela força das greves, que os participantes do Postalis tenham uma redução de 25,98% em seus contracheques a partir de abril de 2015 pelo período de 15 anos e meio. Segundo a administração do fundo, esse desconto é necessário para cobrir o rombo bilionário de R$ 5,6 bilhões.

Para o líder do PPS, gestores apadrinhados pelo PT e PMDB, que deveriam estar aplicando o dinheiro dos trabalhadores para garantir-lhes uma aposentadoria tranquila, estão, na verdade, “atuando como despachantes dos partidos políticos que, não satisfeitos em saquear a Petrobras, estão também saqueando, sem rodeiros, o dinheiro do trabalhador brasileiro”.

O deputado lembra que ainda estão sob influência dos dois partidos políticos o fundo Funcef, da Caixa, e Petros, da Petrobras. Os dois também contabilizam prejuízos bilionários.

Em contato com Rubens Bueno, lideranças que representam os trabalhadores afirmaram que funcionários dos Correios de todo o país preparam uma vinda a Brasília nesta semana para pressionar os deputados a assinarem o requerimento da CPI dos Fundos de Pensão.

“O aparelhamento político dos fundos de previdência complementar, que têm funcionários de estatais e servidores públicos como participantes, associado aos prejuízos milionários recorrentes e decorrentes de sua má gestão, assinalam mais um possível foco de corrupção que carece ser investigado com a máxima urgência”, diz a justificativa do requerimento para abertura da CPI, que é assinado, além do líder do PPS, pelos líderes do DEM, Mendonça Filho (PE), e do PSDB, Carlos Sampaio (SP).

 

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