BAIXO VALOR DO BARRIL DE PETRÓLEO COMEÇA A AFETAR ESTATAL SAUDITA DE PRODUÇÃO

Khalid Al-FalihA decisão tomada no final do ano passado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em não limitar sua produção de petróleo não está mais afetando somente aos países produtores da commodity e empresas de petróleo de capital aberto, mas começa a atingir a Saudi Aramco, estatal produtora da Arábia Saudita.

A empresa está passando por uma fase de reorganização, buscando maneiras de cortar custos nos mais diversos setores, além de pressionar prestadoras de serviço a reduzir preços e negociar descontos em contas de telefone e energia, de acordo pessoas próximas à estatal. Outra opção estudada pela maior produtora mundial de petróleo é a redução em até 25% dos seus gastos futuros com exploração e produção, como vem sendo feito por empresas privadas do setor.

“Como todo mundo, estamos usando a crise como uma oportunidade para afiar nossa disciplina fiscal. Estamos cortando algumas coisas que temos condições de cortar, mas continuamos comprometidos com nossa estratégia de longo prazo”, disse o diretor-presidente da Aramco, Khalid Al Falih (foto), durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro.

As medidas adotadas pela Aramco são bem diferentes das tomadas entre 2011 e 2014 , quando a estatal havia aumentado seus gastos com exploração de petróleo e lançado suas primeiras iniciativas para a produção em alto mar. Na época, o barril de petróleo estava sendo negociado a mais de US$ 100. De junho do ano passado para cá, o preço caiu quase pela metade, sendo negociado a US$ 60,21 o barril na bolsa de futuros ICE Europe, em Londres, ontem (19).

Avaliar o desempenho de estatais como a Aramco e as do Kuwait, Catar, Omã e Emirados Árabes Unidos é bastante difícil, já que há um monopólio sobre as enormes reservas de petróleo e não há necessidade de divulgar dados de desempenho. Por isso é tão difícil saber quais as pretensões de gasto ou corte das empresas. Autoridades sauditas dizem que os executivos da Aramco consideram cortar gastos com projetos de exploração e produção ao longo dos próximos dez anos de US$ 40 bilhões para US$ 30 bilhões.

Junto a outras empresas de petróleo, a Aramco começou a pressionar seus fornecedores em busca de descontos. Em dezembro, a estatal se reuniu com prestadoras como Baker Hughues, Halliburton e Schlumberger para pedir descontos de até 20% em alguns serviços. Os negócios dessas empresas com a estatal saudita totalizam cerca de US$ 6 bilhões por ano.

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