Graça só deve sair quando ficar provada sua inocência

Por Raymundo Costa e Andrea Jubé
A presidente da Petrobras, Graça Foster, deve ser substituída no comando da estatal quando ficar indiscutível que a executiva não tem envolvimento no esquema de corrupção desvendado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. A presidente Dilma Rousseff já há algum tempo faz sondagens no mercado atrás de um nome para substituir a presidente da empresa.

Na avaliação do Palácio do Planalto, segundo apurou o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, o afastamento de Graça, neste momento, poderia deixar no ar a dúvida sobre seu possível envolvimento com as irregularidades investigadas. É tudo o que Dilma não quer. Além de chefe, ela é amiga da presidente da Petrobras. Antes da saída de Graça, o governo vai mudar o conselho de administração da estala, a começar com a saída do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Graça já pediu demissão do cargo por mais de uma vez, mas a presidente da República recusou seus pedidos. Dilma quer fazer a transição na Petrobras com a executiva no posto. Tanto a presidente da República quando o PT afirmam que Graça está acima de qualquer suspeita, no caso da Lava-Jato.

O “timing” para a substituição da presidente da Petrobras pode ser a denúncia do Ministério Público Federal contra agentes públicos até agora identificados na operação da PF. Nada indica que Graça Foster seja arrolada de alguma maneira. Tudo depende dos termos da denúncia do MPF, prevista para fevereiro.

Dilma avalia que, se Graça sair agora, vai parecer que sai porque estaria sob suspeita dos procuradores que investigam o esquema de corrupção. O governo também acredita que o preço do petróleo vai se recuperar, que o pré-sal é viável com o barril de petróleo a US$ 50, mas este seria um limite.

O governo federal deve ainda trabalhar contra a ideia de declaração de inidoneidade das empresas apanhadas na Operação Lava-Jato, entre as quais estão as maiores construtoras do país, responsáveis por obras estratégicas na área de infraestrutura. “Você não põe uma empresa na cadeia, você põe pessoas”, disse um interlocutor da presidente da República.

A eventual declaração de inidoneidade dessas empresas preocupa o Palácio do Planalto, entre outras coisas, por causa do desemprego que poderá causar no setor, um dos mais dinâmicos da economia do país, e por conta da tecnologia na área de petróleo e gás que elas detêm.

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